O presidente estadual do PL em Minas Gerais, Domingos Sávio, jogou um balde de água fria sobre a disputa antecipada pelo Senado em 2026. Em entrevista à Jovem Pan Uberlândia, o deputado federal deixou claro que não haverá decisão apressada dentro do partido — e, na prática, esfria o movimento do deputado estadual Cristiano Caporezzo, que já se apresenta como pré-candidato à Casa.
Sem citar Caporezzo diretamente como alvo de veto, Domingos Sávio foi explícito ao afirmar que o PL não pode se deixar levar por pressões individuais ou pela ansiedade natural do calendário político. “Não podemos deixar vaidade ou projeto pessoal falar mais alto do que o projeto para o Brasil e para Minas Gerais”, afirmou.
Senado condicionado ao palanque presidencial
O ponto central da fala de Domingos Sávio é claro: qualquer definição sobre o Senado em Minas passa, obrigatoriamente, pela construção do palanque do PL para a eleição presidencial de 2026. Segundo ele, o partido só pode avançar na escolha de nomes majoritários depois de garantir uma estrutura sólida para o projeto nacional.
“O Senado precisa servir ao projeto presidencial, não o contrário”, resumiu o dirigente, ao defender que a legenda tenha responsabilidade estratégica antes de anunciar candidaturas.
Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, é tratada como peça-chave nesse tabuleiro. Um erro de cálculo no estado pode comprometer alianças nacionais e dificultar a capilaridade da campanha presidencial.
Caporezzo pressiona, direção freia
Cristiano Caporezzo tem intensificado o discurso de que seria um dos nomes do ex-presidente Jair Bolsonaro para o Senado. A movimentação agrada a base mais ideológica do bolsonarismo e gera engajamento nas redes, mas encontra resistência na cúpula partidária.
Nos bastidores, a avaliação é de que o PL dificilmente lançará dois candidatos próprios ao Senado em Minas. A pulverização de votos e o impacto sobre alianças com partidos do centro-direita são vistos como riscos reais.
Domingos Sávio, que também se coloca como pré-candidato ao Senado, evita confronto direto, mas deixa evidente que a decisão não será tomada agora — nem por imposição.
Minas não comporta aventuras
Ao tratar do cenário mineiro, Domingos Sávio reforçou que Minas impõe amarras políticas próprias. Com 853 municípios, forte diversidade regional e histórico de eleições imprevisíveis, o estado exige construção ampla.
O PL mantém diálogo com diferentes forças políticas, incluindo o governador Romeu Zema, o vice-governador Mateus Simões e outras lideranças do campo conservador e do centro. Para o presidente estadual da sigla, fechar o jogo antes da hora seria um erro estratégico.
“Está na hora de discutir, mas com prudência. A decisão precisa ser tomada no momento certo”, disse.
Dilema exposto no PL
Na prática, a fala de Domingos Sávio explicita o dilema do PL em Minas: optar por um nome de forte apelo ideológico ou por um perfil com maior capacidade de articulação política e eleitoral.
Enquanto isso, a disputa segue em banho-maria. Caporezzo mantém sua pré-candidatura e Domingos Sávio sustenta a defesa da cautela. A definição, segundo o próprio presidente do PL mineiro, deve ocorrer apenas nas próximas semanas, dentro da janela partidária.
Até lá, o Senado segue em aberto — e o clima interno, sob controle apenas no discurso.

Crédito: Montagem com fotos de Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados e Ramon Bitencourt/ALMG.
Resposta de Caporezzo
Em resposta às leituras de bastidores e às análises sobre a disputa interna do PL, o deputado estadual Cristiano Caporezzo enviou áudio ao Regionalzão para reforçar sua posição. Na gravação, ele nega qualquer projeto pessoal ao Senado, afirma que sua pré-candidatura nasceu de um chamado direto da família Bolsonaro e sustenta que seu nome representa, hoje, o campo mais à direita na disputa em Minas Gerais.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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