O ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, voltou ao centro do debate político ao criticar o que chama de “mandato digital”. O movimento ocorre a partir de sua base política em Uberaba e defender um modelo de atuação parlamentar baseado em presença, articulação política e entrega de resultados. A avaliação foi feita durante entrevista ao Poder Entrevista, disponível em https://regionalzao.com.br/poder/, ao comentar sua decisão de fixar base política em Uberaba.
Segundo Cunha, a política brasileira vive um momento em que parte dos mandatos passou a ser exercida prioritariamente nas redes sociais, com forte apelo à produção de vídeos e engajamento digital.
“Hoje existe uma política que se confunde com monetização de vídeo. Isso não pode ser o centro da atividade parlamentar”, afirmou.
Crítica direta à política de engajamento
Na avaliação do ex-presidente da Câmara, o avanço das redes sociais alterou a lógica de atuação de parte dos parlamentares, deslocando o foco da atividade legislativa para a exposição digital.
Cunha defendeu que o eleitor precisa avaliar o mandato a partir do que ele chama de frutos da atuação parlamentar.
“Quantos projetos aprovou? Qual foi a participação nas comissões? Que resultado concreto esse parlamentar entregou para a região?”, questionou.
Ele também afirmou que o debate sobre a proibição da monetização de conteúdos digitais por parlamentares em exercício deveria ser enfrentado com mais seriedade no Congresso Nacional.
Uberaba
como símbolo do modelo tradicional
Ao explicar a escolha de Uberaba como base política, Cunha afirmou que a cidade representa um perfil de eleitorado mais conectado à política de resultado e à atuação institucional.
“Uberaba tem uma característica muito forte ligada ao agronegócio e à produção. É um eleitorado que cobra presença e entrega”, disse.
Para ele, a ausência de representantes da cidade na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais reforça a necessidade de um mandato que vá além do discurso digital.
Presença, articulação e bastidores
Eduardo Cunha destacou que o trabalho parlamentar não se resume à indicação de emendas, mas passa pela capacidade de articulação política, atuação em comissões e influência nos bastidores do Congresso.
“O plenário, as comissões e os bastidores são onde a política acontece de verdade”, avaliou.
Segundo ele, o excesso de foco em redes sociais cria uma distorção na percepção do eleitor sobre o papel real de um deputado federal.
Debate que ecoa no Triângulo Mineiro, com reflexos diretos também em
Uberlândia
A crítica ao mandato digital encontra eco no debate político do Triângulo Mineiro, especialmente em cidades médias e pequenas, onde cresce a insatisfação com parlamentares que concentram votos, mas mantêm pouca presença regional.
Nos bastidores, lideranças locais avaliam que o discurso de Cunha dialoga com um sentimento de cobrança por mandatos mais próximos das cidades e menos dependentes de engajamento virtual.
Movimento observado com atenção
A movimentação de Eduardo Cunha em Uberaba é acompanhada de perto por grupos políticos da região. A leitura predominante é que o discurso contra o mandato digital funciona como um marco simbólico de diferenciação em relação a outros perfis de candidatura.
A tendência é que o tema ganhe espaço no debate eleitoral à medida que 2026 se aproxima e o eleitorado passa a comparar estilos de atuação parlamentar.
Esse conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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