O voto do deputado estadual Elismar Prado contra a privatização da Copasa expôs uma fissura na base do governador Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Integrante do PSD — partido do vice-governador Mateus Simões —, Elismar afirma que agiu com total autonomia e sem qualquer tipo de pressão interna.
“Não houve, em nenhum momento, nenhum tipo de pressão. Sempre houve muito respeito com a minha postura e com a minha trajetória”, afirmou o parlamentar em entrevista ao Regionalzão.
Segundo ele, a posição contrária ao projeto é coerente com sua atuação histórica na defesa dos consumidores. “Independente de quem seja o governador ou de qual seja o meu partido, eu tenho independência e autonomia para manter a minha coerência, que está ligada à minha trajetória”, completou.
Críticas à privatização e impactos nos municípios
Elismar argumenta que a privatização de serviços essenciais como água e saneamento tem apresentado resultados negativos no Brasil e no exterior. Ele cita exemplos de municípios onde o processo resultou em aumento de tarifas, piora na qualidade do serviço e falta de investimentos.
“Serviços essenciais não podem ser tratados como mera mercadoria. A lógica da privatização condiciona a prestação do serviço ao lucro”, disse.
Na avaliação do deputado, os municípios menores tendem a ser os mais prejudicados. “Eles não vão investir onde não há lucratividade. Muitos prefeitos sequer foram ouvidos e já estão revoltados”, afirmou.
O parlamentar também alertou para riscos à continuidade de programas ambientais e sociais hoje executados pela Copasa. “Não há garantia nenhuma de que programas de preservação de nascentes, tarifa social e proteção ambiental vão continuar”, pontuou.
Autonomia no PSD e ausência de pressão política
Apesar de o PSD ser o principal partido da base de Zema em Minas, Elismar garante que não houve qualquer tentativa de interferência em seu voto.
“Ninguém me procurou para pedir voto de um jeito ou de outro. Houve muito respeito, levando em conta minha trajetória de defesa dos consumidores”, disse.
A declaração reforça o cenário de desalinhamento pontual dentro da legenda em um tema considerado estratégico pelo governo estadual.
Cláusula para municípios divide opiniões
Questionado sobre a proposta defendida pelo presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, para criar uma cláusula que permita aos municípios optar por não aderir ou rescindir contratos, Elismar avaliou a medida como complexa.
“Muitos municípios já têm contratos de 30 anos com a Copasa. Como ficam os ativos? Como um município pequeno, que vive de FPM, vai assumir toda a estrutura de água e esgoto?”, questionou.
Para o deputado, apenas cidades com estrutura consolidada, como Uberlândia, conseguem operar sistemas próprios com eficiência.
“É falta de humanidade entregar o controle de um bem essencial à vida, como a água, totalmente à lógica do mercado”, concluiu.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.
