Em audiência, Janones diz que não precisou de Ituiutaba

Deputado federal nega ameaça a rival político e minimiza importância de sua base histórica, onde foi o candidato mais votado

Adelino Júnior

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O deputado federal André Janones protagonizou novas declarações polêmicas durante sua audiência de instrução. O processo apura uma denúncia de ameaça contra o também deputado federal Nikolas Ferreira.

O caso envolve um episódio em que o parlamentar chicoteou um totem com a imagem de seu adversário político. A ação ocorreu durante a comemoração da vitória eleitoral de Leandra Guedes na cidade de Ituiutaba.

Durante o depoimento, André Janones minimizou a relevância de seu reduto eleitoral histórico. O deputado afirmou textualmente que nunca se elegeu com votos concentrados no município da região do Pontal.

“Mente quem disse que eu ganhei eleição de Ituiutaba”, disparou o parlamentar perante a Justiça. “Não ganhei, não precisei da cidade”, complementou o político ao justificar que a maioria de seus votos veio de fora.

Contudo, os dados oficiais da Justiça Eleitoral apontam para um cenário contrastante. No pleito de 2022, Janones foi o deputado federal majoritário em Ituiutaba, conquistando expressivos 23.200 votos, o equivalente a 41,99% do total do município.

Ao tratar do mérito da denúncia de ameaça, o parlamentar defendeu seu estilo político agressivo e bélico. Ele argumentou que as manifestações públicas contra adversários são apenas figuras de linguagem do seu cotidiano.

O deputado explicou que o termo do chicote era uma espécie de subslogan da campanha eleitoral local. Segundo ele, os carros de som reproduziam o estalo do chicote nos eventos públicos da prefeita reeleita.

O parlamentar confirmou ter ordenado a confecção do totem de Nikolas Ferreira para a festa da vitória. No entanto, ele sustentou que o ato de golpear a imagem foi uma encenação puramente satírica.

“A intenção era fazer o que eu fiz, tirar sarro”, declarou André Janones no interrogatório. Ele acrescentou que o ato não teve seriedade e foi apenas uma brincadeira de cunho eleitoral.

O deputado afirmou ainda que já realizou atos semelhantes contra outras figuras políticas do país. Ele relembrou ter desferido golpes contra bonecos do ex-presidente Michel Temer em 2018 e de Jair Bolsonaro.

Por sua vez, a defesa de Nikolas Ferreira confrontou o vocabulário violento utilizado pelo réu nas redes sociais. Os advogados questionaram se a atitude de Janones poderia incitar violência real contra o deputado do PL.

Janones rebateu os questionamentos afirmando que os apoiadores presentes apenas comemoravam e riam do deboche. Ele declarou que respeita as decisões judiciais e que cumprirá qualquer sentença final determinada pela Justiça.

O caso segue em tramitação judicial para apurar se a conduta do deputado configurou crime de ameaça. A audiência expõe mais um capítulo da acirrada rivalidade de bastidores entre os dois influentes parlamentares mineiros.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

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