Em coletiva nesta quarta-feira (3.set.2025), em Uberlândia, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) colocou a “anistia ampla, geral e irrestrita” no topo de sua agenda política e evitou falar de alianças em Minas agora. O roteiro na cidade incluiu visita à ACD, homenagem na Câmara Municipal e palestra à noite.
“Falar de eleição agora é precoce. O foco é a anistia ampla, geral e irrestrita. Se fosse alguém do PT, não teria ninguém preso.”
Anistia no centro do discurso
Nikolas elevou a pressão por uma solução política aos investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro. Ao priorizar o tema, desloca o debate eleitoral e mobiliza sua base. Em tom crítico ao Judiciário, citou prisões e cautelares que, segundo ele, evidenciam excessos.
“Seria desrespeitoso com famílias que estão sofrendo falar de eleição agora. Temos um problema gigantesco e o foco é a anistia.”

Bastidores e agenda local
O deputado afirmou ter destinado R$ 500 mil em emendas para a ACD, descrita por ele como centro de reabilitação com foco em órteses e próteses. Em seguida, recebeu homenagem na Câmara de Vereadores e, à noite, palestrou na Igreja Shalom sobre política. Amanhã, segue para agenda em Patos de Minas.
Ao agradecer a honraria, adotou tom biográfico: “Saí da favela e minha voz hoje ultrapassa Minas. Representar com coerência, sem linha de corrupção no currículo, é minha obrigação.”
Eleições: recuo tático, por ora
Indagado sobre arranjos em Minas e a interlocução com nomes como Matheus Simões, Nikolas evitou cravar posições. Mantém o tema eleitoral em banho-maria enquanto aposta na mobilização de sua base com a pauta da anistia — movimento que preserva margem de negociação e reduz o risco de rachas imediatos na direita mineira.
STF e o julgamento de Bolsonaro
Questionado sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo, Nikolas falou em “cartas marcadas” e criticou o ministro Alexandre de Moraes e o governo Lula. Confirmou presença em ato no 7 de Setembro, em Belo Horizonte.
“Não precisa gostar de mim nem do Bolsonaro, mas dizer que o Brasil vai bem é sacanagem. O julgamento é um teatro de cartas marcadas.”
Leitura política
Ao priorizar a anistia, Nikolas tenta centralizar o discurso oposicionista em torno de “liberdade” e “pacificação”. O giro por Uberlândia ativa a base bolsonarista na região e projeta capital político estadual, enquanto adia definições sobre palanques e alianças.
Ouça a coletiva completa:
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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