Antes das reações políticas, é preciso entender o que está acontecendo, de fato, na Venezuela. Sem slogans, sem torcida, sem versões simplificadas.
Na madrugada do último dia 3, uma operação liderada pelos Estados Unidos resultou na captura de Nicolás Maduro, líder do regime venezuelano, acusado internacionalmente de violações sistemáticas de direitos humanos, repressão violenta a protestos e perseguição política. Para parte da população venezuelana, o momento foi de comemoração imediata: caiu um ditador que governava pelo medo.
Mas a leitura imparcial exige um passo além. A ação não foi motivada apenas por princípios democráticos. A Venezuela abriga a maior reserva de petróleo do mundo e ocupa posição estratégica na disputa geopolítica global, especialmente em um cenário de tensão envolvendo Estados Unidos, China, Irã e Rússia. Interesses econômicos e de poder pesaram — e muito — na decisão.
O fato concreto é este: caiu um regime autoritário responsável por sofrimento real. Isso não transforma automaticamente os Estados Unidos em salvadores, nem apaga o histórico de intervenções externas na América Latina que deixaram rastros de instabilidade. Democracia não nasce por decreto militar, e os custos quase sempre recaem sobre a população civil.
Enquanto venezuelanos celebram o fim de um ciclo de opressão, parte do debate no Brasil se deslocou para disputas ideológicas internas — muitas vezes ignorando o essencial: o povo venezuelano não é peça de xadrez. É vítima de um regime que ruiu e de uma geopolítica que nunca foi neutra.
É a partir desse cenário — complexo, duro e real — que se deve analisar como os deputados do Triângulo Mineiro reagiram ao episódio.
Deputados federais
Ana Paula Junqueira Leão (PP) publicou nota afirmando que o episódio marca “o início do fim de décadas de opressão”, defendendo a retomada do caminho democrático e da liberdade para o povo venezuelano.
André Janones (Avante) não se manifestou sobre o tema até o momento.
Dandara Tonantzin (PT) adotou postura crítica ao discurso bélico, alertando que ações militares e intervenções externas costumam gerar instabilidade e sofrimento à população civil. “Democracia não se impõe pela força”, escreveu.
Greyce Elias (Avante) afirmou que a Venezuela “começa a respirar esperança”, destacando o enfraquecimento da impunidade e a possibilidade de reconstrução institucional.
Maurício do Vôlei (PL) fez críticas diretas ao governo brasileiro, acusando o presidente Lula de se alinhar a um ditador. “Quem se cala diante da tirania acaba sendo cúmplice dela”, afirmou.
Weliton Prado (Solidariedade) não comentou o episódio.
Zé Silva (Solidariedade) também não se manifestou.
Zé Vitor (PL) publicou vídeo com discurso duro contra Nicolás Maduro, a quem classificou como ditador e criminoso. Em tom forte, defendeu uma reorganização da geopolítica internacional e criticou a inação da ONU. “Quando o medo vence, todo mundo perde”, afirmou.
Deputados estaduais
Entre os deputados estaduais da região, a maioria optou pelo silêncio. Arnaldo Silva, Bosco, Leonídio Bouças, Maria Clara Marra, Raul Belém e Elismar Prado não publicaram manifestações sobre o tema.
A exceção foi Cristiano Caporezzo (PL), que comemorou publicamente a prisão de Maduro e fez críticas duras ao presidente Lula, associando o episódio ao enfraquecimento da esquerda latino-americana e ao chamado Foro de São Paulo.
O pano de fundo internacional
Analistas e jornalistas especializados alertam que, apesar da comemoração de parte dos venezuelanos, a ação dos Estados Unidos não pode ser lida apenas como defesa da democracia. A Venezuela concentra a maior reserva de petróleo do mundo e ocupa posição estratégica na disputa global de poder.
A leitura mais equilibrada aponta que um ditador responsável por graves violações de direitos humanos foi retirado do poder, mas que interesses econômicos e geopolíticos pesaram decisivamente na operação. Não se trata de uma cruzada humanitária, mas de uma disputa por influência internacional.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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Nunca se destruiu uma ditadura com diálogo, e isso nunca acontecerá. Ditadores só são derrubados com uso da força. Parabéns aos EUA.