O desdobramento do caso envolvendo o vereador Edinho do Combate ao Câncer apresenta uma nova camada de conflito entre a versão oficial registrada pela Polícia Militar e o áudio enviado pelo parlamentar ao Regionalzão. O material foi encaminhado apenas após a publicação da matéria original, embora o vereador e sua assessoria tenham sido procurados diversas vezes pela reportagem antes da divulgação — sem resposta.
A seguir, o contraste entre o que dizem os documentos oficiais, as testemunhas e o próprio vereador.
O que diz o boletim de ocorrência
Segundo o RED registrado no sábado (22), Edinho:
- apresentava sinais evidentes de embriaguez, como olhos vermelhos, desorientação e hálito etílico;
- retirou uma cadeira de cima de uma mesa e permaneceu no local mesmo após ser informado de que a loja estava fechada;
- entrou em área restrita aos funcionários e fez fotos sem autorização;
- se recusou a se identificar perante os militares;
- passou a xingar e desacatar os policiais;
- resistiu à detenção, exigindo o uso de técnicas de contenção e algemação.
O documento ainda descreve que, dentro da viatura, o vereador se debateu, correu risco de se ferir e acusou um policial de furtar seu celular e a chave do carro — itens que estavam sob guarda da equipe, conforme procedimento padrão, e foram entregues integralmente na delegacia.
A OAB foi acionada e acompanhou o atendimento médico e o procedimento subsequente.
O que diz o vereador agora
No áudio enviado ao Regionalzão, Edinho afirma que:
- não estava embriagado;
- apenas defendia uma pessoa da comunidade que teria sido maltratada pela funcionária da loja;
- não se identificou como vereador no local, mas atuava como advogado;
- houve abuso de autoridade dos policiais;
- o boletim apresenta contradições e foi feito para prejudicá-lo;
- existe perseguição política contra ele.
Ele também acusa policiais de terem “interesse” em proteger o posto onde tudo ocorreu.
Onde as versões divergem
As contradições entre o BO e o áudio enviado por Edinho são centrais:
- Embriaguez: o RED descreve sintomas claros; o vereador nega completamente.
- Identificação: a PM relata que ele se recusou a informar nome e documento; Edinho diz que só se identificou no atendimento médico por prerrogativa de advogado.
- Conduta na loja: funcionários dizem que ele se recusou a sair e entrou em área restrita; Edinho afirma que apenas questionou o atendimento.
- Contato com policiais: o BO cita desacato, xingamentos e resistência; Edinho afirma ter sido vítima de abuso.
Afirmação falsa sobre a imprensa
No áudio, o vereador diz que a imprensa teria agido para “denegrir sua imagem” e que ele “não foi ouvido”. Essa informação é falsa. O Regionalzão procurou o vereador e sua assessoria diversas vezes antes da publicação da matéria original — sem qualquer resposta. O posicionamento só foi enviado após a divulgação.
Resposta da Polícia Militar
A Polícia Militar de Minas Gerais enviou nota ao Regionalzão afirmando que os fatos noticiados correspondem aos relatos registrados no histórico do boletim de ocorrência. A corporação destacou que atua “em conformidade com os princípios da legalidade, conveniência, proporcionalidade e impessoalidade”.
Segundo a 9ª Região de Polícia Militar, após análise preliminar, não foram identificados elementos que motivassem a abertura de procedimento administrativo contra os policiais envolvidos na ocorrência.
A instituição reiterou ainda seu compromisso com a transparência e se colocou à disposição para novos esclarecimentos.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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