A movimentação política do prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, ganhou novos contornos nos bastidores de Minas Gerais. Presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Falcão confirmou diálogos frequentes com o senador Cleitinho em um movimento que busca construir uma alternativa política fora do tradicional eixo decisório da capital.
A articulação foi detalhada durante entrevista concedida à Jovem Pan Uberlândia, na qual Falcão adotou um tom cauteloso, mas deixou claro que há conversas em curso com diferentes lideranças que se colocam como pré-candidatas ao governo de Minas em 2026.
“O momento não é de definir quem é candidato ou vice. O momento é de construir projeto, ouvir os municípios e entender as realidades de cada região”, afirmou.
Cleitinho no radar
Entre os nomes citados por Falcão, Cleitinho aparece como o interlocutor próximo. O presidente da AMM destacou a relação pessoal com o senador e elogiou o perfil de proximidade com a população.
“O Cleitinho tem uma sensibilidade muito grande com as pessoas mais simples. Ele questiona, fiscaliza, e isso faz parte do papel dele no Senado”, disse.
Nos bastidores, a aproximação chama atenção porque Cleitinho figura entre os nomes mais bem posicionados em cenários preliminares para a sucessão estadual. A eventual construção de uma frente com forte base no interior poderia alterar o tabuleiro político, tradicionalmente concentrado em Belo Horizonte.
Um discurso que incomoda
A costura dessa frente dialoga diretamente com o discurso municipalista adotado por Falcão desde que assumiu a presidência da AMM. Sem citar partidos ou governos diretamente, ele voltou a criticar o que chama de “bolha decisória” instalada em Belo Horizonte.
“Quando as decisões são tomadas por meia dúzia de pessoas, longe da realidade das cidades, o interior acaba recebendo projetos prontos para apenas apoiar”, afirmou.
A fala é lida por interlocutores como um recado claro ao grupo do governador Romeu Zema e do vice-governador Mateus Simões, com quem Falcão mantém relação institucional, mas sem alinhamento automático.
AMM como plataforma política
Eleito presidente da AMM com apoio expressivo de prefeitos do interior, Falcão tem usado o cargo para ampliar sua presença no debate estadual. Embora evite se colocar oficialmente como pré-candidato, o prefeito reconhece que a entidade se tornou um espaço central de articulação.
“Minas tem 853 municípios, cada um com uma realidade diferente. Não dá para construir um projeto de estado sem ouvir quem está na ponta”, afirmou.
Nos bastidores, a avaliação é de que a AMM passou a funcionar como uma vitrine política, especialmente em um momento de desgaste do modelo centralizado de decisões e de busca por novas lideranças capazes de dialogar com diferentes regiões.
Cenário em aberto
Questionado sobre a possibilidade de composição futura entre os nomes citados, Falcão evitou cravar alianças, mas não fechou portas.
“O diálogo está aberto com todos que queiram discutir um projeto para Minas. O candidato será definido mais à frente”, disse.
Até lá, a estratégia parece clara: fortalecer o discurso do interior, ampliar pontes com diferentes campos políticos e ocupar um espaço que, até pouco tempo, era restrito à capital.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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