Projeção para Câmara coloca Franco entre nomes do Podemos com chance de cadeira

Modelo divulgado pela Sólon utiliza 60 mil simulações para projetar a bancada mineira; plataforma afirma que percentuais não são pesquisa eleitoral nem probabilidade de vitória

Adelino Júnior
Franco Cartafina durante atividade na Câmara dos Deputados
Franco Cartafina aparece em projeção para uma cadeira de deputado federal por Minas Gerais.Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Uma projeção para as 53 cadeiras de Minas Gerais na Câmara dos Deputados coloca Franco Cartafina (Podemos), de Uberaba, entre os nomes projetados para conquistar uma vaga em 2026. O estudo foi divulgado pela Sólon e utiliza 60 mil simulações para construir diferentes cenários para a disputa.

No cenário central apresentado pela plataforma, o Podemos aparece com duas cadeiras. Franco Cartafina e Nely Aquino são os dois nomes indicados como eleitos pelo modelo.

Franco terminou eleito em 35,8% das simulações realizadas. Nely Aquino aparece com 33,2%. Na sequência estão Capitão Veloso, com 10,6%; Rubão, com 9,3%; e Delegado Rafael Faria, com 9,2%.

Os números, porém, exigem uma ressalva importante: os percentuais não representam intenção de voto.

Segundo a própria Sólon, eles indicam a frequência com que cada candidatura terminou eleita nos cenários simulados. A plataforma também ressalta que os resultados não representam probabilidade real de vitória.

O que significam os 35,8% de Franco Cartafina

A Sólon informa que sua projeção considera o desempenho estimado das listas, a força individual das candidaturas, o histórico eleitoral e os sinais disponíveis na data de corte.

Essas informações são utilizadas pelo modelo para produzir milhares de cenários possíveis para a composição da bancada mineira na Câmara.

Portanto, os 35,8% atribuídos a Franco Cartafina significam que o candidato terminou eleito em 35,8% das 60 mil simulações realizadas.

Não significa que Franco tenha 35,8% das intenções de voto dos eleitores mineiros.

Também não significa, conforme ressalva feita pela própria plataforma, que o candidato tenha 35,8% de probabilidade real de ser eleito.

No caso do Podemos, o estudo trabalha ainda com uma faixa plausível entre zero e cinco cadeiras. O cenário central apresentado pela Sólon aponta duas.

Sólon apresenta levantamento como projeção, e não pesquisa

A Sólon apresenta o material como uma projeção baseada em dados e simulações, e não como pesquisa de intenção de voto.

Essa diferença é relevante durante o período eleitoral.

Pelas regras da Justiça Eleitoral, empresas e entidades que realizam pesquisas de opinião pública relativas às eleições ou aos candidatos precisam registrar cada levantamento no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle). O registro deve ocorrer até cinco dias antes da divulgação. Justiça Eleitoral

A regulamentação para as Eleições 2026 está prevista na Resolução TSE nº 23.600/2019, atualizada neste ano pela Resolução nº 23.747/2026. Justiça Eleitoral

A Sólon, por sua vez, descreve o material divulgado como uma modelagem. Na própria publicação, afirma expressamente que os percentuais “não representam pesquisa eleitoral nem probabilidade real de vitória”.

A classificação apresentada pela plataforma não equivale, por si só, a uma manifestação da Justiça Eleitoral sobre o enquadramento jurídico específico desse estudo.

Justiça Eleitoral diferencia pesquisas e enquetes

O cuidado com a natureza do levantamento ganha importância porque, durante a campanha eleitoral, enquetes relacionadas ao processo eleitoral são proibidas.

A jurisprudência do TSE define enquete como sondagem informal, sem rigor técnico, com participação espontânea e capaz de permitir ao eleitor inferir uma ordenação das preferências entre candidatos. Temas Selecionados

O tribunal também já decidiu que a maneira como números eleitorais são apresentados ao público pode ser relevante para caracterizar uma pesquisa sem registro. Em junho deste ano, por exemplo, o TSE analisou um caso envolvendo divulgação de nomes, fotografias, percentuais e referência expressa a “pesquisa”. Temas Selecionados

Em outro caso de 2026, o TSE determinou liminarmente a suspensão da divulgação de um levantamento não registrado que apresentava percentuais, comparações entre cenários e projeções relativas à eleição presidencial. A decisão se referia especificamente ao levantamento analisado naquele processo. Justiça Eleitoral

Por isso, os percentuais divulgados pela Sólon são apresentados nesta reportagem exclusivamente dentro da metodologia descrita pela própria plataforma, sem tratá-los como intenção de voto ou como probabilidade de vitória.

Franco aparece no cenário central do Podemos

Dentro da modelagem divulgada, Franco Cartafina aparece entre os dois candidatos que ocupariam as cadeiras atribuídas ao Podemos no cenário central.

O dado não permite concluir que Franco esteja à frente dos demais candidatos em intenção de voto. O que mostra é que, considerando as variáveis adotadas pela Sólon, o nome do ex-deputado terminou eleito em pouco mais de um terço dos cenários simulados.

A própria plataforma afirma que esta é a primeira versão de sua projeção para as 53 cadeiras mineiras e que novas edições poderão incorporar informações mais recentes conforme a eleição se aproxima.

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