Galassi pode virar peça regional de Aécio em eventual candidatura ao Senado

Movimentação de PSDB e PDT para convencer ex-governador a voltar à disputa abre dúvidas sobre futuro do candidato de Uberlândia e uma possível recomposição da chapa

Adelino Júnior
homem de terno preto pegando na gravata
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A movimentação para levar Aécio Neves (PSDB) de volta às urnas ganhou força nesta quarta-feira (26) e começou a mexer efetivamente nas peças da chapa formada por PDT e Federação PSDB-Cidadania em Minas Gerais.

O primeiro movimento concreto veio do PDT. Marcelo Heringer, que havia sido registrado como candidato ao Senado, protocolou pedido de renúncia à candidatura junto à Justiça Eleitoral. A saída ocorre justamente no momento em que as duas legendas intensificam a pressão para que Aécio reconsidere a decisão de não disputar as eleições de 2026.

Mas há uma segunda peça nesse tabuleiro que merece atenção especial no Triângulo Mineiro: Gustavo Galassi (PSDB).

O empresário e produtor rural de Uberlândia é atualmente o outro candidato ao Senado pela aliança que sustenta a candidatura de Alexandre Kalil (PDT) ao Governo de Minas. Segundo apuração publicada por O Fator, Galassi também deverá conversar com Aécio, e existe expectativa entre aliados de que deixe a disputa caso o ex-governador aceite concorrer.

A questão, portanto, deixa de ser apenas se Aécio será ou não candidato.

Passa também por entender qual será o papel reservado a Galassi em uma eventual recomposição da chapa.

Galassi pode ganhar outro papel no xadrez

A eventual saída de Gustavo Galassi da condição de candidato titular ao Senado não significa necessariamente que o uberlandense ficará fora da chapa.

Uma das possibilidades políticas que passa a existir é sua participação como suplente em uma eventual candidatura de Aécio.

No Senado não existe a figura do vice. Cada candidato disputa a eleição acompanhado de dois suplentes. O primeiro suplente é chamado a assumir a cadeira nas hipóteses previstas pela legislação quando o titular deixa temporária ou definitivamente o mandato.

Até o momento, porém, não há confirmação de que Galassi será suplente de Aécio. Essa possibilidade deve ser tratada como hipótese dentro da reorganização política em curso.

O fato concreto é que Galassi está diretamente envolvido nas conversas sobre o futuro da chapa e deverá se encontrar com Aécio.

E há uma razão adicional para acompanhar seu destino.

Quando lançou Galassi para o Senado, o próprio PSDB apresentou o uberlandense como uma liderança capaz de representar o agronegócio e o Triângulo Mineiro na disputa estadual.

Essa característica pode ganhar importância caso Aécio decida voltar às urnas.

O peso de Uberlândia e do Triângulo

Gustavo Galassi carrega um sobrenome conhecido na política de Uberlândia.

Além de sua atuação no setor produtivo e no agronegócio, pertence a uma família que teve forte presença na política municipal. Isso lhe dá uma identidade regional que pode ser considerada na montagem de uma chapa estadual.

Para Aécio, uma composição com Galassi poderia oferecer uma ponte política com Uberlândia, o Triângulo Mineiro e setores ligados ao agro.

Não é possível afirmar, sem pesquisas específicas, que essa composição seria suficiente para alterar índices de rejeição ou intenção de voto de Aécio na região.

Mas, eleitoralmente, a lógica existe.

Uma candidatura ao Senado precisa percorrer Minas inteira, e ter na chapa nomes capazes de representar regiões estratégicas faz parte da construção política de qualquer candidatura majoritária.

Nesse cenário, Galassi poderia deixar de ser concorrente direto ao Senado para assumir outro papel na estratégia eleitoral tucana.

Operação para convencer Aécio ficou pública

O movimento deixou os bastidores nesta quarta-feira.

O presidente da Federação PSDB-Cidadania em Minas, Paulo Abi-Ackel, e o presidente estadual do PDT, Mário Heringer, divulgaram nota conjunta pedindo explicitamente que Aécio reveja sua decisão.

Os dirigentes afirmam que receberam manifestações de prefeitos, vereadores, deputados, militantes e lideranças de diferentes regiões do Estado defendendo a candidatura. A nota sustenta ainda que Minas necessita de representação com capacidade de articulação política em Brasília e cita a dívida estadual como um dos temas que justificariam a presença de Aécio no Senado.

A movimentação é significativa porque Aécio havia anunciado, no início de agosto, que não concorreria a nenhum cargo em 2026.

Agora, aliados tentam fazê-lo mudar de posição.

Segundo informações publicadas nesta quarta-feira, o tucano deverá conversar com integrantes da aliança, entre eles Alexandre Kalil e o próprio Gustavo Galassi. Aécio, entretanto, ainda não confirmou que será candidato.

Ainda falta uma peça

Existe ainda uma questão que merece atenção.

Em 2026, Minas Gerais elegerá dois senadores. Por isso, a aliança de Kalil havia registrado Marcelo Heringer e Gustavo Galassi para a disputa.

A saída de Heringer abre juridicamente espaço para uma substituição. A legislação permite a troca de candidatos em situações como renúncia, e o prazo informado pela Justiça Eleitoral para substituições neste pleito vai até 14 de setembro.

Se Aécio entrar diretamente no lugar de Marcelo, Galassi poderia, em princípio, permanecer candidato à segunda cadeira.

Mas as informações de bastidores indicando que Galassi também pode retirar sua candidatura criam outra pergunta: quem seria o segundo candidato ao Senado da coligação?

É justamente aí que o desenho ainda não está completo.

A eventual candidatura de Aécio parece ter deixado de ser apenas uma especulação. Já existe manifestação pública das direções partidárias, uma renúncia formalizada e reuniões sendo organizadas.

Agora, três respostas podem definir o novo xadrez da chapa de Alexandre Kalil: se Aécio aceitará disputar o Senado, qual será o destino político de Gustavo Galassi e quem ocupará a outra candidatura da aliança caso os dois nomes originalmente registrados deixem a cabeça de chapa.

Para o Triângulo Mineiro, a segunda pergunta talvez seja a mais interessante.

Galassi pode deixar de ser candidato ao Senado. Mas isso não significa, necessariamente, que deixará de ser uma peça importante na chapa.

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