A eleição do deputado federal Odair Cunha (PT-MG) para o Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma disputa silenciosa — mas estratégica — nos bastidores da política mineira. A vaga deixada na Câmara dos Deputados pode acabar nas mãos de Gilmar Machado (PT), ex-prefeito de Uberlândia e nome histórico do partido no Triângulo Mineiro.
A movimentação ganhou força após a definição do resultado na noite desta terça-feira (14), quando Odair foi eleito com 303 votos, em votação secreta, consolidando apoio amplo dentro da Câmara.
O efeito imediato é a abertura da vaga na bancada mineira. Mas o desdobramento jurídico pode mudar completamente a ordem natural da suplência.
Troca de partido pode travar posse
O primeiro suplente da federação seria Glaycon Franco, eleito em 2022 pelo PV, partido que integra a federação com o PT. No entanto, durante a última janela partidária, ele deixou a sigla e migrou para o PSDB.
Esse movimento, aparentemente comum no cenário político, tem impacto direto na possibilidade de assumir o mandato.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidou entendimento de que a vaga proporcional pertence ao partido — e não ao candidato. Assim, suplentes que deixam a legenda pela qual foram eleitos perdem o direito de assumir o cargo, mesmo que a troca tenha ocorrido dentro da janela partidária.
Na prática, a Justiça Eleitoral entende que o suplente precisa manter vínculo com o partido original para representar os votos que garantiram aquela cadeira.
Esse entendimento foi reafirmado em julgamentos recentes, incluindo decisões de 2024, que reforçaram o princípio da fidelidade partidária também para suplentes.
Caminho aberto para Gilmar
Com a possível inviabilização jurídica de Glaycon Franco, o caminho fica livre para o segundo suplente: Gilmar Machado.
Ex-deputado federal por quatro mandatos e ex-prefeito de Uberlândia, Gilmar volta ao radar político em um momento decisivo. Sua eventual posse não apenas mantém a vaga dentro da federação PT-PV, como também recoloca o Triângulo Mineiro no centro da articulação em Brasília.
Nos bastidores, a leitura é de que o retorno de Gilmar atende tanto a um critério jurídico quanto político. Ele reúne experiência legislativa, trânsito em Brasília e proximidade com o governo federal.
Peso político em Brasília
Desde 2023, Gilmar vinha atuando na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, área responsável pela articulação entre o Executivo e o Congresso Nacional.
No cargo, participou diretamente das negociações políticas do governo Lula, trabalhando ao lado de lideranças centrais da articulação. O histórico inclui participação em debates orçamentários e interlocução com prefeitos, governadores e parlamentares.
Esse capital político pode pesar — e muito — caso a posse se confirme.
Além disso, Gilmar já se posiciona como pré-candidato a deputado federal. Assumir o mandato agora ampliaria sua visibilidade, fortaleceria sua base e aumentaria sua capacidade de articulação para as eleições.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

