O empresário e produtor rural Gustavo Galassi (PSDB) renunciou à candidatura ao Senado por Minas Gerais nesta quinta-feira (27), em meio à articulação para a entrada de Aécio Neves (PSDB) na disputa eleitoral.
A saída do uberlandense abre caminho para que o presidente nacional do PSDB assuma uma das candidaturas ao Senado na chapa encabeçada por Alexandre Kalil (PDT) ao Governo de Minas.
A renúncia, entretanto, não significa necessariamente que Galassi ficará fora da composição.
Segundo informações obtidas pela reportagem, uma reunião prevista para a noite desta quinta-feira com Alexandre Kalil deverá discutir o novo desenho da chapa e o futuro das suplências.
Uma das possibilidades em discussão é que Galassi passe da condição de candidato titular para primeiro suplente de Aécio Neves. A definição, porém, depende das conversas que ainda serão realizadas.
Galassi pode continuar na chapa
A eventual presença de Galassi como primeiro suplente permitiria ao PSDB manter um nome de Uberlândia e do Triângulo Mineiro diretamente ligado à candidatura de Aécio.
No Senado, não existe a figura do vice. Cada candidato concorre acompanhado de dois suplentes, sendo o primeiro chamado a assumir a cadeira nas situações previstas pela legislação.
Galassi tem ligação com o agronegócio, já presidiu o Sindicato Rural de Uberlândia e pertence a uma família tradicional da política local. É neto de Virgílio Galassi, que governou Uberlândia por quatro mandatos.
Essas características dão à discussão sobre sua permanência uma dimensão regional.
Ao deixar a candidatura própria para abrir espaço à entrada do presidente nacional do PSDB, Galassi poderá assumir uma função diferente na estratégia eleitoral: ajudar a aproximar a candidatura de Aécio de Uberlândia, do Triângulo Mineiro e de setores ligados ao agro.
Esse papel, entretanto, somente ficará mais claro depois da definição da nova composição.
Renúncia ocorre após mudança de Aécio
Galassi havia sido lançado candidato ao Senado pelo PSDB depois que Aécio anunciou, no início de agosto, que não disputaria nenhum cargo nas eleições deste ano.
Nas semanas seguintes, dirigentes partidários e aliados passaram a pressionar o ex-governador para que reconsiderasse a decisão.
A movimentação ganhou força nesta semana, quando as direções da Federação PSDB-Cidadania e do PDT divulgaram uma nota conjunta defendendo publicamente a candidatura.
Aécio já comunicou a lideranças do partido que decidiu entrar na disputa. A expectativa é que o anúncio seja feito nesta sexta-feira (28), em Belo Horizonte.
A mudança obrigou a aliança a redesenhar a composição construída anteriormente.
Além de Galassi, Marcelo Heringer (PDT) também renunciou à candidatura ao Senado.
Reunião desta noite pode definir novo desenho
Com as duas renúncias, a discussão agora vai além da entrada de Aécio.
Minas Gerais elegerá dois senadores em outubro. A aliança de Kalil tinha inicialmente Gustavo Galassi e Marcelo Heringer como seus dois candidatos.
Aécio deverá ocupar uma dessas posições. A outra candidatura e a composição das suplências ainda precisam ser definidas.
É justamente nesse ponto que a reunião prevista para esta quinta-feira ganha importância.
O encontro com Alexandre Kalil deverá ajudar a definir se Gustavo Galassi permanecerá na chapa e, em caso positivo, qual posição ocupará.
Para Galassi, existe uma mudança significativa de cenário. O uberlandense deixa uma candidatura própria ao Senado, mas poderá integrar diretamente a chapa de um ex-governador de Minas e ex-candidato à Presidência da República.
Para Aécio, uma eventual escolha de Galassi como primeiro suplente também teria significado político: colocaria ao seu lado um representante de Uberlândia, do Triângulo Mineiro e do agronegócio.
Por enquanto, essa composição ainda é uma possibilidade.
A renúncia de Gustavo Galassi está definida. O papel que ele terá no novo desenho eleitoral deverá começar a ser decidido na reunião desta noite.

