A apreensão de R$ 470 mil em dinheiro vivo no apartamento funcional do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), em Brasília, colocou uma residência no município de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, no centro das investigações da Polícia Federal.
Alvo de mandado de busca e apreensão na última semana, o líder da bancada do PL na Câmara divulgou um vídeo nas redes sociais para justificar a origem dos valores. Segundo o parlamentar, o montante é fruto da venda de um imóvel na cidade mineira, sua terra natal.
A explicação, no entanto, deixa dúvidas quanto à documentação apresentada e à modalidade da transação.
No vídeo publicado pelo empresário de Ituiutaba Hermano Freitas, candidato a prefeito de Ituiutaba em 2024, Sóstenes exibe um documento cartorial para atestar a legalidade do bem. A imagem congelada do vídeo mostra uma “Escritura Pública de Compra e Venda” lavrada no 3º Cartório de Notas de Ituiutaba.
A análise do documento, contudo, revela que ele se refere à aquisição do imóvel pelo deputado, datada de 15 de fevereiro de 2023. No papel, Sóstenes figura como comprador (“Outorgante Comprador” implícito no contexto “a favor de Sóstenes”), adquirindo o bem de uma mulher e outros.
Até o momento, o parlamentar não exibiu publicamente a escritura ou o contrato de venda do imóvel para terceiros, documento necessário para comprovar a data da transação, a identidade do comprador e a efetiva entrada dos recursos alegados.
Na versão apresentada por Sóstenes, a casa teria passado por uma reforma e sido colocada à venda por R$ 690 mil. O deputado afirma que acabou aceitando uma oferta de R$ 500 mil, paga integralmente “à vista, em dinheiro”.
“No Brasil do descondenado Lula, tudo está se desvalorizando”, declarou o deputado no vídeo, atribuindo o deságio e a modalidade de pagamento ao cenário econômico político.
Transações imobiliárias de alto valor liquidadas em espécie são atípicas e costumam acionar alertas automáticos no Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), devido ao risco de lavagem de dinheiro. A legislação exige que cartórios e instituições financeiras comuniquem operações em espécie acima de determinados limites.
O deputado sustenta que o bem foi declarado em seu Imposto de Renda de 2024 e que a origem é lícita. “Quem não deve, não teme. Por isso, faço questão de mostrar tudo com a máxima transparência”, afirmou.
Embora eleito pelo Rio de Janeiro, Sóstenes mantém laços estreitos com Ituiutaba. A presença do vídeo nas redes sociais de Hermano Freitas reforça a conexão política do parlamentar com a região.
A defesa de Sóstenes Cavalcante trata a operação da PF como “perseguição da extrema esquerda” e do ministro do STF Flávio Dino, relator do caso. O deputado afirmou que, assim que autorizado por seus advogados, apresentará mais detalhes para provar a “maldade” contra conservadores.
A PF segue analisando o material apreendido para verificar se há rastreabilidade entre o saque dos R$ 500 mil alegados pelo comprador e o montante encontrado em posse do deputado. O nome do suposto comprador do imóvel ainda não foi divulgado.

Tenho certeza que o Hermano, que arrumou essa nota fria de compra de uma casa pro Sóstenes, esse nem sabe onde é Ituiutaba, iria comprar uma casa aqui pra que? E esses caras nunca inventam nada de bom para Ituiutaba aparecer nas notícias nacionais, mas tudo quanto é malandragem aparece Ituiutaba no meio, muito triste….
Sóstenes é natural de Maceió.