Ituiutaba tem peso econômico, tem posição estratégica e concentra serviços que atendem dezenas de municípios do Pontal do Triângulo. Mas na divisão das emendas parlamentares estaduais da legislatura atual, a cidade não corresponde à sua influência no território.
Os dados da Secretaria de Estado de Governo (Segov), consolidados pelo portal O Fator, mostram que Ituiutaba recebeu R$ 35,94 por habitante em emendas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) — bem abaixo da média regional de R$ 56,45 por morador registrada no Triângulo Mineiro.
A diferença não é apenas estatística. É política.
O que os números dizem sobre a representatividade
No universo das emendas parlamentares estaduais, articulação vale mais do que tamanho. Municípios pequenos, com deputados ou vereadores bem posicionados em Belo Horizonte, frequentemente superam cidades muito maiores no critério per capita.
É o que mostram os casos de Gurinhatã, com R$ 309 por habitante, e Canápolis, com R$ 329 por morador — municípios de menor porte que deixaram para trás as principais cidades da região com folga.
Ituiutaba não está sozinha nesse cenário, mas sua posição chama atenção pela contradição. Uberaba registrou R$ 9,09 por habitante e Uberlândia ficou em R$ 23,81 por morador — ambas também abaixo da média regional. Três importantes cidades do Triângulo repetem o mesmo padrão: representatividade política que não acompanha o porte econômico.
A ausência de um nome próprio em BH
O debate que esses números reabrem em Ituiutaba é conhecido nos bastidores políticos da cidade: a ausência de um deputado estadual com base eleitoral sólida no município e com atuação efetiva na ALMG.
Na lógica das emendas parlamentares, os recursos seguem as relações. Deputados destinam para suas bases. Onde não há um nome de referência, a cidade concorre com desvantagem estrutural.
A dinâmica não é nova — mas os dados a tornam palpável. Ituiutaba é polo de saúde, educação superior e comércio para o Pontal. Ainda assim, não converte esse protagonismo regional em musculatura política em Belo Horizonte.
O Triângulo inteiro perde para outras regiões
O retrato de Ituiutaba é, em escala menor, o retrato do próprio Triângulo Mineiro.
Enquanto a média regional ficou em R$ 56,45 por habitante, o Vale do Rio Doce registrou R$ 196,18 por morador — mais de três vezes mais. O dado amplifica a discussão sobre como Minas distribui seus recursos estaduais e quais regiões saem ganhando na partilha.
Para Ituiutaba, o desafio que se desenha a partir desses números é duplo: converter sua centralidade no Pontal em influência política estadual e, ao mesmo tempo, integrar uma articulação regional mais ampla capaz de dar ao Triângulo Mineiro maior peso nas decisões tomadas em BH.
Os números já disseram o que precisa ser feito. A pergunta é quem, no campo político local, vai ouvi-los.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

