Janones premiou com cargo quem foi banido da Câmara por atacar Nikolas

Adelino Júnior
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O deputado federal André Janones (Rede-MG) está no centro de um episódio constrangedor nos bastidores de Brasília. O assessor parlamentar Bernardo Moreira Amado Barros, lotado no gabinete do parlamentar mineiro, foi exonerado na quinta-feira (30) depois de invadir ao vivo o programa Estúdio i, da GloboNews, xingar na frente das câmeras. O que a maioria das coberturas deixou de lado: Janones contratou Bernardo depois de ele ter sido proibido de entrar na própria Câmara dos Deputados.

O histórico que ninguém deve ignorar

Em dezembro de 2023, Bernardo Moreira ficou conhecido ao abordar o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) nos corredores da Câmara, chamá-lo de “Nikole chupeta” e afirmar que o parlamentar “não trabalha”. A confusão foi registrada em vídeo, viralizou nas redes sociais e rendeu ao influencer uma passagem pela Polícia Legislativa — e uma proibição formal de acesso ao Parlamento.

Naquele episódio, Nikolas acionou a segurança e cobrou responsabilidade: “Atacar um deputado durante o exercício do mandato é crime”, disse o parlamentar na ocasião. O Ministério Público Federal chegou a ser acionado para avaliar possível configuração de injúria e difamação.

O caso gerou repercussão nacional — inclusive porque a expressão usada pelo influencer havia sido popularizada pelo próprio Janones em discurso na tribuna da Câmara meses antes.

A contratação que levanta perguntas

O que os registros do Diário Oficial revelam é revelador: Bernardo Moreira Amado Barros passou a integrar o gabinete de Janones como secretário parlamentar a partir de 5 de novembro de 2025 — quase dois anos após o episódio com Nikolas e a proibição de acesso ao Parlamento.

A remuneração do cargo comissionado era de R$ 7.960,44 mensais, bancados com dinheiro público. Em outras palavras: quem havia sido expulso da Câmara voltou — desta vez com crachá e salário.

A nova confusão — desta vez ao vivo

Na tarde de quinta-feira (30), enquanto os deputados Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição, e Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo, concediam entrevista conjunta ao Estúdio i sobre a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria, Bernardo surgiu por trás de Cabo Gilberto, tomou o microfone e gritou: “Anistia é o caralho, Lula reeleito”, antes de abandonar rapidamente o estúdio.

A reação foi imediata. Cabo Gilberto, visivelmente irritado, comentou ao vivo: “Vocês estão vendo como é? Eles são desse jeito, não aceitam a derrota.” Após a transmissão, o assessor foi conduzido à Polícia Legislativa.

A exoneração veio no mesmo dia, em edição extra do Diário Oficial da União, com assinatura do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em contato com a imprensa, Motta foi direto: “Demiti o assessor que causou a confusão hoje, ele é reincidente na Casa.”

O próprio Bernardo ironizou nas redes sociais: “Para quem tá curioso, sim, fui mandado pra delegacia, preso e vou ser processado ?”. E não perdeu a oportunidade de resgatar o passado: “Ganhei o processo da Nikole Chupeta, vou ganhar esse também.”


O silêncio de Janones

Até o fechamento desta edição, o gabinete de André Janones não havia emitido nenhuma nota oficial sobre a conduta do ex-assessor. O silêncio, por si só, já é um dado político relevante.

A questão que fica nos bastidores da Câmara é simples: um parlamentar que contrata um servidor com esse histórico — e o mantém na folha por meses — assume alguma responsabilidade política pelo perfil de quem representa seu gabinete. A resposta de Janones a essa pergunta, até agora, é o silêncio.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

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