O deputado federal André Janones, de Ituiutaba, volta ao centro das articulações nacionais após uma sequência de movimentos que colocam sua possível filiação ao PT novamente sob os holofotes. Na última segunda-feira, ele se reuniu com a ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais e ex-presidente nacional do PT, em um encontro que colocou oficialmente na mesa a possibilidade de sua volta ao partido.
A aproximação não é trivial. Janones sempre circulou pelo campo progressista, mas manteve trajetória própria, distante da estrutura orgânica petista. Uma eventual mudança agora teria forte impacto em Minas Gerais, especialmente na disputa por protagonismo no Triângulo Mineiro.
Conversas avançam, mas ruídos permanecem
Nos bastidores do PT, a reunião com Gleisi foi tratada como um gesto significativo. O tema da filiação surgiu como alternativa estratégica para ampliar a influência digital e territorial do partido no estado. Ainda assim, há setores que demonstram resistência à entrada do deputado.
“É um movimento que pode fortalecer o partido, mas exige cautela”, disse, reservadamente, um dirigente petista ouvido pela coluna.
A avaliação interna é de que Janones agregaria potência eleitoral, sobretudo pela presença forte nas redes e pela capilaridade no interior. Por outro lado, sua entrada demandaria reorganização de espaços já disputados por grupos tradicionais do PT mineiro.
Conversa com Lula no Planalto
Ontem, Janones participou de um evento no Palácio do Planalto, onde conversou pessoalmente com o presidente Lula. O gesto reforça a percepção de que o diálogo está em avanço e que a filiação deixou de ser mera especulação.
Petistas próximos ao presidente avaliam que Lula vê com bons olhos a entrada de Janones, sobretudo por sua capacidade de comunicação direta com setores populares e pelo potencial de reforçar palanques em Minas — tradicionalmente decisivo nas eleições nacionais.
Origem e retorno
A eventual ida ao PT seria uma espécie de retorno simbólico às origens políticas de Janones, que iniciou a vida pública alinhado a pautas sociais e trabalhistas. Levando em consideração pesquisas internas que apontam que o deputado teria, em média, cerca de 150 mil votos, seu potencial eleitoral desperta atenção de lideranças regionais. Políticos que “bateram na trave” em eleições recentes, como o o ex-prefeito Gilmar Machado, receberiam o polêmico Janones de braços abertos, enxergando nele um ativo capaz de alterar qualquer cenário proporcional.
Apesar das conversas positivas, a decisão final ainda depende de ajustes internos no PT e de sinalizações formais da executiva nacional. Mas a movimentação já mexe com as articulações regionais e amplia o espaço de Janones em Brasília.
O bom filho à casa torna?
A última semana reforçou a sensação de que Janones está cada vez mais próximo de um retorno às origens — e abriu novas frentes de negociação partidária.
Além das conversas com o PT, o deputado também se reuniu nesta semana com Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, sigla com a qual mantém diálogo avançado. No partido, a avaliação é de que Janones ajudaria a reequilibrar o jogo mineiro e fortalecer a presença da legenda no Triângulo e no Alto Paranaíba.
Outro movimento relevante veio da Rede Sustentabilidade, presidida em Minas por Paula Lamac. O partido formalizou convite ao deputado e, segundo relatos colhidos pela coluna, chegou a colocar a sigla à disposição para que Janones dispute inclusive o governo de Minas Gerais. O gesto elevou a temperatura das negociações e mostrou que o parlamentar mantém ampla margem de escolha.
A seguir, os fatos que indicam a preferência pelo PT: de que Janones está cada vez mais próximo de um retorno às origens. Houve reunião com a ministra Gleisi Hoffmann, jantar com deputados do PT de Minas e, nesta terça, um encontro pessoal com o presidente Lula durante o lançamento do Programa CNH do Brasil. No evento, Lula destacou sua agenda de Minas Gerais para a próxima quinta-feira — frase interpretada como um recado político direto.
Nos bastidores, a leitura é de que Janones está “com as malas prontas” para voltar ao seu primeiro partido. Ele se filiou ao PT aos 18 anos e militou por mais de 13 anos, antes de seguir outros caminhos partidários. O possível retorno, agora por cima, embaralha o jogo mineiro e reacende disputas por espaço no campo progressista.
A conversa oficial, segundo apuração da coluna, deverá ocorrer em Minas Gerais. A expectativa é que Janones acompanhe a comitiva presidencial na agenda que o presidente Lula cumprirá no estado na próxima quinta-feira, momento visto internamente como o cenário ideal para selar a decisão. Nos bastidores, auxiliares do governo afirmam que o encontro presencial em solo mineiro dará o tom final da movimentação partidária.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

Reunião de ladrões 🤣🤣🤣