O avanço descontrolado do javali no Triângulo Mineiro e em outras regiões de Minas Gerais entrou no radar político e virou tema central da atuação do deputado estadual Leonídio Bouças (PSDB). Durante o Poder Entrevista, o parlamentar classificou a situação como uma ameaça silenciosa ao meio ambiente, ao agronegócio e à segurança da população.
Para Leonídio, há uma grave distorção na forma como o problema é tratado pelo poder público.
“As pessoas ainda acham que o javali é um bichinho inofensivo. Não é. Ele não pertence à fauna brasileira e está destruindo lavouras, nascentes e colocando vidas em risco”, afirmou.
Praga fora de controle
Segundo o deputado, o javali se tornou uma praga ambiental por não possuir predadores naturais no Brasil e apresentar altíssima capacidade de reprodução.
Estudos citados por Leonídio apontam que um único animal pode destruir dezenas de nascentes, além de comprometer áreas inteiras de produção agrícola.
No Triângulo Mineiro, produtores relatam perdas expressivas em lavouras de milho e soja, especialmente em áreas próximas a matas e cursos d’água.
Impacto no agro e na segurança
Além dos prejuízos econômicos, Leonídio destacou o aumento de acidentes em rodovias causados por javalis e javaporcos.
“Só em São Paulo, foram centenas de acidentes em um único ano. Aqui não é diferente. É um risco real para quem trafega nas estradas”, alertou.
O parlamentar ressaltou que o problema ameaça diretamente o agronegócio, setor estratégico para Minas Gerais e para cidades como Uberlândia, que dependem da cadeia produtiva rural.
Caçadores criminalizados
Um dos pontos mais criticados por Leonídio é a forma como produtores rurais e controladores da espécie são tratados.
“Quem tenta conter o problema acaba sendo perseguido. Em vez de apoio, há multas e repressão. É o mundo de cabeça para baixo”, disse.
O deputado citou exemplos internacionais, como a Flórida, nos Estados Unidos, onde o Estado remunera o controle de espécies invasoras, como ocorre com as pítons nos pântanos de Everglades.
Audiência pública e cobrança ao Estado
Leonídio lembrou que o tema já foi debatido em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, mas cobra medidas mais efetivas.
Para ele, sem uma política clara de controle, o problema tende a se agravar.
“Se nada for feito, o impacto ambiental e econômico será irreversível. Estamos falando de água, comida e segurança”, afirmou.
Tema que ganhou peso político
A fala de Leonídio reforça um debate que vinha restrito ao campo técnico e agora ganha peso político. O avanço do javali deixa de ser apenas uma questão ambiental e passa a integrar a agenda do desenvolvimento econômico e da segurança rural.
Nos bastidores, o tema já mobiliza produtores, entidades do agro e parlamentares preocupados com os efeitos de médio e longo prazo.
Esse conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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