A Justiça Eleitoral deu um passo além do que vinha sendo discutido nos bastidores. O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), ao julgar recurso, reconheceu por maioria (5 votos a 1) a existência de fraude à cota de gênero nas eleições proporcionais de 2024 em Capinópolis.
A decisão não apenas confirma os indícios. Ela produz efeito direto: a cassação da chapa do Partido Progressista (PP) no município, com anulação dos votos da legenda.
Decisão com efeito imediato
Segundo o julgamento, houve o uso de candidatura feminina fictícia, registrada apenas para cumprir formalmente a exigência legal, sem participação real no processo eleitoral.
Com isso, o TRE determinou:
– Cassação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) do PP
– Anulação de todos os votos obtidos pela legenda
– Reprocessamento do resultado eleitoral
Na prática, a decisão redesenha a composição da Câmara Municipal.
Bastidores: quem ganha e quem perde
O impacto político é direto.
O vereador eleito pelo PP, Everaldo do Nascimento Tomaz, perde o mandato, já que sua diplomação estava vinculada à chapa considerada irregular.
Ao mesmo tempo, o recálculo do quociente eleitoral pode beneficiar outros candidatos, alterando o equilíbrio de forças no Legislativo local.
Nos bastidores, a leitura é clara: não se trata apenas de uma decisão jurídica, mas de uma mudança concreta no tabuleiro político.
Entendimento que se consolida
A avaliação jurídica do caso foi conduzida no âmbito da ação que teve como advogado do autor Aziz Mussa Neto, que sustentou a tese de fraude à cota de gênero acolhida pelo Tribunal.
“A cota de gênero não pode ser cumprida apenas no papel”.
De acordo com o entendimento aplicado, a existência de uma única candidatura fictícia já é suficiente para comprometer toda a chapa.
Ou seja: não existe fraude parcial.
Origem da ação
A ação foi proposta por Renato Bora, candidato a vereador nas eleições de 2024.
Ele apontou a ausência de participação efetiva de candidata registrada, além de elementos que indicavam o uso da candidatura apenas para viabilizar a chapa.
A decisão ainda afastou, de forma pontual, a inelegibilidade de duas candidatas, por falta de comprovação direta de irregularidade individual.
Mesmo assim, isso não altera o ponto central: a fraude foi reconhecida e a chapa, cassada.
Recado para os partidos
O recado do TRE-MG é direto.
A fiscalização sobre a cota de gênero deixou de ser protocolar. Passou a ser estrutural.
Quem insistir em candidaturas fictícias corre o risco de perder tudo.
Mandato, votos e espaço político.
A decisão ainda é passível de recurso nas instâncias superiores, o que pode levar o caso a nova análise, mas já projeta efeitos diretos no cenário político local.
Coluna Poder • Conteúdo assinado por Adelino Júnior , jornalista e editor-chefe do Regionalzão, acompanhando os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
A política é decidida nos bastidores — e analisada aqui. Para acompanhar as análises estratégicas e entrar no canal exclusivo no Instagram:
Ao seguir o perfil, você pode entrar no canal de transmissão e receber análises em primeira mão.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

