A decisão de um vereador disputar uma vaga de deputado estadual ou federal quase nunca é neutra. No Triângulo Mineiro, um levantamento das últimas eleições mostra que tentar subir de patamar político pode significar, para muitos, perder espaço e não conseguir voltar ao Legislativo municipal.
Os dados de Uberlândia e Ituiutaba ajudam a explicar por que esse cálculo passou a ser feito com cuidado nos bastidores.
Uberlândia: quem saiu, quem voltou e quem não voltou
Na eleição municipal de 2020, a Câmara de Uberlândia foi composta por 27 vereadores. Desde então, vários deles disputaram cargos estaduais ou federais. Os resultados foram diferentes — e, em alguns casos, definitivos.
Entre os exemplos mais emblemáticos está o de Cláudia Guerra (PDT). Eleita vereadora, ela se lançou candidata a deputada estadual, não conseguiu se eleger e, posteriormente, também não retornou à Câmara. Saiu e perdeu duas vezes.
Leandro Neves (PSD) seguiu caminho semelhante. Tentou a Assembleia Legislativa e, após a derrota, não conseguiu se reeleger vereador. Murilo (Rede) também disputou vaga de deputado e, desde então, não voltou ao Legislativo municipal.
Há exceções importantes. Fabão tentou uma vaga de deputado, não se elegeu, mas conseguiu reconstruir a base política e retornar à Câmara, tornando-se depois o vereador mais votado da história de Uberlândia. Liza Prado também saiu para disputar vaga federal e conseguiu voltar ao mandato municipal.
Outro caso é o dos vereadores Anderson Lima e Ronaldo Tannus, que disputaram a eleição estadual, não se elegeram, mas conseguiram preservar suas bases locais e garantir a reeleição como vereadores.
Um contraponto importante nesse levantamento é o caso de Zago. Vereador em Uberlândia, ele foi candidato a prefeito em 2020, não venceu a disputa majoritária, mas conseguiu preservar sua base política e retornou ao Legislativo municipal.
O fator invisível: a dificuldade de legenda
Um dos pontos menos visíveis ao eleitor, mas decisivos nos bastidores, é a montagem da chapa proporcional. Vereadores que tentam a eleição para deputado e perdem passam a enfrentar resistência dos partidos na eleição municipal seguinte.
Poucas legendas querem compor chapa com quem acabou de sair derrotado de uma disputa estadual ou federal. O receio é que o desgaste eleitoral comprometa o desempenho do grupo e o quociente partidário. Na prática, isso significa menos opções de legenda, menos estrutura e menos tempo de campanha.
Em cidades menores, o risco aumenta
Em municípios de menor porte, como Ituiutaba, o impacto costuma ser ainda maior. O eleitorado é mais concentrado, as bases políticas são menores e o custo de uma derrota se espalha mais rápido.
Renato Moura, eleito vereador em Ituiutaba, disputou a eleição estadual e perdeu. Desde então, não conseguiu retornar à Câmara Municipal. Já André Vilela (MDB) representa uma exceção: eleito vereador, sai com frequência para disputar vaga de deputado federal e sempre consegue voltar ao Legislativo municipal.
O padrão, no entanto, se repete: quanto menor a cidade, maior o peso de uma candidatura estadual frustrada.
Por que tantos tratam a eleição como tudo ou nada
É nesse contexto que muitos vereadores do interior passaram a tratar a disputa por uma vaga de deputado como uma aposta final. Não se trata apenas de buscar um novo cargo, mas de aceitar o risco real de não ter volta.
No Triângulo Mineiro, a eleição estadual deixou de ser apenas uma oportunidade. Para muitos vereadores, virou uma decisão que pode definir o futuro político.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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Faltou o jornalista falar do excelente Caporezzo. Foi, venceu e faz um mandato de grande destaque, com muita chance de se tornar senador. Quando tem postura correta, posicionamento firme e um alinhamento com o eleitor, o político é bom e cresce, porém a grande maioria dos vereadores são politiqueiros baratos e sem postura.