Ministério Público pede cassação do prefeito eleito de Romaria por abuso político

Promotoria aponta contratação em massa de servidores temporários em 2024 para favorecer a candidatura de Valdemar Rezende Filho, eleito com diferença mínima de votos.

Adelino Júnior
Valdemar Resende em sua posse como prefeito da cidade.
Prefeito de Romaria, Valdemar Rezende Filho conhecido como Professor JuninhoFoto: Divulgação/Redes Sociais

O Ministério Público Eleitoral pediu a cassação dos mandatos de Valdemar Rezende Filho (Professor Juninho) e Weslen Eustáquio Magalhães, eleitos prefeito e vice-prefeito de Romaria nas eleições de 2024, sob acusação de abuso de poder político. As alegações finais foram protocoladas no processo nº 0600608-98.2024.6.13.0110, em tramitação na 110ª Zona Eleitoral de Estrela do Sul.

A investigação foi proposta pela Coligação “Juntos para Renovar” (MDB e PSD) e sustenta que o então prefeito João Rodrigues dos Reis, também investigado, teria promovido contratações excessivas de servidores temporários em ano eleitoral, sem qualquer processo seletivo. Segundo o MP, o objetivo seria usar a máquina pública para favorecer politicamente seus aliados Valdemar e Weslen, que venceram o pleito por apenas 46 votos de diferença num universo de 3.122 votos válidos.

Ao longo do processo, foram apresentadas listas detalhadas com 200 servidores contratados apenas em 2024, número muito superior aos anos anteriores. Para comparação, em 2021 eram 111 temporários; em 2022, subiram para 125; em 2023, chegaram a 136. Em 2024, ano eleitoral, o salto foi considerado “abusivo” pelo Ministério Público.

“Em municípios pequenos, como Romaria, a oferta de emprego público próximo à eleição pode criar o chamado ‘voto de gratidão’, capaz de influenciar diretamente o resultado das urnas,” argumentou o promotor eleitoral Roberto Vieira dos Santos, nas alegações finais.

O MP destacou que havia decisão judicial determinando que a Prefeitura nomeasse candidatos aprovados em concurso público de 2016, transitada em julgado em fevereiro de 2024, impedindo novas contratações temporárias para cargos previstos no edital. Mesmo assim, João Rodrigues manteve as admissões, o que, segundo a acusação, teria finalidade exclusivamente eleitoral.

Testemunhas ouvidas em juízo reforçaram a tese de abuso. A servidora Karina Messias Cardoso, contratada temporariamente, disse que sua admissão ocorreu por ato direto do prefeito, sem qualquer processo seletivo. Já Maria Izabel Leandro relatou aumento substancial no número de contratados às vésperas do pleito.

Procurado pela reportagem para comentar o caso, Valdemar Rezende Filho não respondeu até o fechamento desta matéria.

O Ministério Público Eleitoral pede, além da cassação dos mandatos, a inelegibilidade por 8 anos dos três investigados. A decisão caberá agora ao juiz eleitoral da comarca de Estrela do Sul.


Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.

Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

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