O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou uma Notícia de Fato para investigar o vice-prefeito de Uberlândia, Vanderlei Pelizer. O procedimento apura a suposta prática de injúria racial e conduta incompatível com o cargo ocorrida dentro do Centro Administrativo Virgílio Galassi.
A decisão foi assinada pelo promotor Moisés Batista Abdala, coordenador das Promotorias de Justiça Criminais da comarca, na última segunda-feira (25). O caso foi distribuído para uma das promotorias criminais para as “providências cabíveis”.
O episódio no Centro Administrativo
Segundo a denúncia formalizada na Ouvidoria do MPMG, o caso ocorreu no dia 16 de novembro de 2025. Durante uma exposição da rede municipal sobre identidade racial, uma criança negra recitava uma poesia de afirmação.
O documento relata que Pelizer teria tentado desqualificar a manifestação cultural. O vice-prefeito supostamente classificou o conteúdo antirracista como “lavagem cerebral” e afirmou que aquilo seria algo que “a direita precisa enfrentar na Prefeitura”.
Ainda de acordo com o relato enviado à Promotoria, profissionais da educação foram hostilizados. Ao ser questionado por uma servidora, o político teria encerrado o diálogo com a frase: “O que você acha não me interessa”.
Pressão em duas frentes
A investigação do MP soma-se à tensão política no Legislativo. Recentemente, a Coluna Poder noticiou que vereadores já protocolaram pedido de cassação do vice-prefeito motivados pelo mesmo episódio. Agora, Pelizer enfrenta problemas tanto da Câmara Municipal quanto da Justiça Criminal.

“A direita não humilha criança”
Um detalhe chama a atenção nos bastidores políticos da denúncia ao MP. Ela não partiu de opositores ideológicos tradicionais (partidos de esquerda), mas de um cidadão que se identifica publicamente como de direita.
Na representação, o denunciante Marcus Rick Vinicius de Oliveira faz questão de dissociar o espectro político da conduta atribuída ao vice-prefeito.
Sou de direita, sempre fui, e reafirmo publicamente: O que Pelizer fez NÃO representa a direita. Isso não é ideologia, é racismo. Direita não humilha criança negra”, consta no documento oficial.
O pedido encaminhado ao MP solicita não apenas a apuração criminal baseada na Lei 7.716/89, mas também manifesta apoio à perda do mandato.
O outro lado: Vice-prefeito nega racismo e acusa “ativismo judicial seletivo”
Em Nota de Imprensa enviada à Coluna Poder, o vice-prefeito Vanderlei Pelizer negou as acusações de racismo e classificou as ações contra ele como orquestradas. Ele acusou setores da militância de esquerda de utilizarem a via judicial como instrumento de perseguição política.
A nota na íntegra:
Não houve, em nenhuma de minhas palavras ou em minha fiscalização, qualquer forma de manifestação de cunho racial, e reafirmo meu absoluto repúdio a qualquer tipo de discriminação.
O que se observa, com clareza, é mais uma tentativa de setores da militância ideológica da esquerda de utilizarem a via judicial como instrumento de perseguição política, em um fenômeno conhecido como ativismo judicial seletivo, prática já vista em regimes modernos de viés autoritário, nos quais o Judiciário passa a ser utilizado como ferramenta para silenciar opositores.
Carrego com orgulho os ensinamentos das professoras e professores que contribuíram para minha formação. Sou apaixonado pela educação e pela nobre missão de ensinar — missão esta que sempre defendi com firmeza. Não por acaso, sou um apoiador convicto dos colégios cívico-militares, onde o professor é respeitado, valorizado e protegido, tendo ao seu lado a segurança necessária contra alunos que, infelizmente, já não respeitam mais a autoridade do educador.
Todavia, como vice-prefeito, reafirmo: sou totalmente contra aqueles que, em vez de ensinar, tentam doutrinar crianças com pautas comunistas, ideologias de esquerda ou agendas político-partidárias. Professor tem que ensinar sua matéria, preparar o aluno para a vida, formar cidadãos, e não transformar a sala de aula em palanque ideológico e político. E é isso que minha fiscalização combate.
É contra esse tipo de atuação, que desvirtua a essência da educação, que tenho me levantado — sempre de forma clara, aberta e dentro do direito constitucional de crítica e opinião. Isso se chama democracia.
Por isso, a utilização do Poder Judiciário, assim como pedidos de cassação movidos contra minha pessoa por políticos de esquerda, ou a mando desses, apenas confirma aquilo que a população já percebe: há um grupo que não aceita o livre debate, não suporta opinião divergente e tenta silenciar quem pensa diferente. Para eles, quem discorda deve ser eliminado do debate público — uma postura que afronta diretamente o maior princípio democrático: a liberdade de expressão e o confronto saudável de ideias.
Reforço que seguirei firme, com a consciência tranquila e o compromisso intocável com Uberlândia, com a educação de verdade e com a defesa da democracia — aquela que existe para todos, não apenas para quem pensa igual.
Também estarei totalmente à disposição das autoridades para esclarecer minha atuação e fiscalização enquanto vice-prefeito, atuação essa pautada pelos princípios da ética, do zelo e do senso de obrigação enquanto vice-prefeito eleito democraticamente.
Vanderlei Pelizer Vice prefeito de Uberlândia”
A Coluna Poder segue acompanhando os desdobramentos da investigação e o posicionamento da defesa do vice-prefeito.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

Concordo com o vice prefeito, há doutrinação nas escolas. Desejo força e coragem pra enfrentar essas injustiças, não é fácil lutar com a esquerda.