O prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Falcão, subiu o tom ao criticar a forma como o governo de Minas Gerais, segundo ele, ainda concentra decisões na capital e se distancia da realidade do interior.
Em entrevista ao Poder Entrevista, do Regionalzão, Falcão afirmou que não faz sentido governar Minas Gerais a partir de uma lógica centralizada em Belo Horizonte.
“Não é razoável que você fique encastelado em BH tomando decisões como se soubesse o que é melhor para quem está no interior”, afirmou.
A declaração reforça um discurso que vem ganhando força entre prefeitos mineiros, especialmente após a eleição da nova diretoria da AMM, vencida por Falcão mesmo diante da resistência do Palácio Tiradentes.
Minas além da capital
Segundo o presidente da AMM, Minas Gerais é um estado plural, com realidades econômicas, sociais e culturais completamente distintas entre suas regiões.
“O Norte de Minas não é igual ao Sul. O Triângulo Mineiro não é igual à Zona da Mata. O interior não pode ser tratado como um bloco único”, disse.
Falcão destacou que cerca de 80% da população mineira vive fora da capital e que a maior parte da produção econômica do estado está concentrada no interior.
“Quem carrega Minas é o interior. O emprego, o agro, a produção e o PIB estão fora de BH”, reforçou.
Crítica ao modelo de decisões
Na avaliação de Falcão, o distanciamento da capital gera decisões que não dialogam com a realidade dos municípios.
“Não basta ir ao interior para tirar foto, comer pão de queijo e tomar café. É preciso conhecer estrada rural, custo de frete, produção de leite, café, suinocultura e logística”, afirmou.
Ele também criticou o que classificou como uma “bolha decisória” formada entre Belo Horizonte e Brasília, que acaba impondo políticas públicas sem regionalização.
Reflexos políticos
O discurso de enfrentamento à centralização tem ampliado a projeção estadual de Falcão. Nos bastidores, o movimento é interpretado como uma tentativa de se consolidar como porta-voz dos prefeitos e do interior na discussão sobre a sucessão estadual.
Apesar de evitar um anúncio formal, Falcão já afirmou que avalia seriamente a possibilidade de disputar o governo de Minas, dependendo do cenário político.
“Minas precisa de coragem, projeto e visão de futuro. Não dá para governar de dentro de um gabinete distante da realidade”, concluiu.
Esse conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.
