A política é a arte de somar, mas a calculadora das alianças em Uberlândia anda operando em modos diferentes para situação e oposição. Durante a assinatura da ordem de serviço para o início das obras do Poliesportivo no bairro Morumbi, nesta semana, o prefeito Paulo Sérgio (PP) não fugiu da raia e mandou um recado direto aos críticos e aliados.
Eu quero ver se é do partido A ou do partido B [que traz recursos]? Esquerda ou direita? Quero é finalmente dizer que a obra está completa”, afirmou o chefe do Executivo.
O pragmatismo administrativo
A declaração de Paulo Sérgio vai além de um improviso de palanque. Ela desenha a espinha dorsal de sua estratégia política atual: o pragmatismo. Ao reforçar que seu governo é de “continuidade” e citar investimentos milionários, o prefeito tenta vacinar a gestão contra a polarização nacional que, muitas vezes, trava repasses.
Essa postura de “portas abertas” explica a diversidade no álbum de fotos do prefeito. Recentemente, ele dividiu agenda e sorrisos com o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD) — homem forte do governo Lula —, e com o deputado federal Weliton Prado (Solidariedade), historicamente ligado a pautas populares, mais que tem votado com a direita.
Na lógica do governo municipal, quem assina o cheque do convênio merece o crédito, independentemente da cor da bandeira. Isso permite que Paulo Sérgio transite do gabinete do governador Romeu Zema (Novo) e seu vice Mateus Simões, até com parlamentares do como Zé Vitor (PL).
Críticas nos bastidores: falta de lado?
Se para a população do Morumbi o que importa é a bola rolando no poliesportivo e o fim da poeira, para a base ideológica mais rígida, o sinal amarelo acende. Nos bastidores da política, ex-aliados que caminharam com o grupo nas últimas eleições torcem o nariz para essa elasticidade.

Uma linha de críticos aponta que o prefeito “não tem posicionamento firme”, acusando-o de abandonar o barco do conservadorismo para garantir governabilidade e verbas federais. O contraste fica evidente ao lembrar da antiga proximidade com a deputada federal Ana Paula Junqueira, hoje em campo oposto e com discurso mais alinhado à direita tradicional.
Ao dizer que precisa “falar com todos”, Paulo Sérgio aposta que a entrega de concreto e serviço vale mais votos do que a fidelidade ideológica. Resta saber se essa conta fecha nas urnas se a polarização bater na porta.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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