O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) admitiu que aproximou seu advogado e ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria do banqueiro Daniel Vorcaro para tratar de um ativo minerário. Em vídeo publicado nesta quinta-feira (3) no Instagram, o parlamentar negou, porém, ter recebido pagamentos, firmado contratos ou mantido relação financeira com o dono do Banco Master.
A manifestação ocorreu após o ICL Notícias revelar áudios e mensagens trocados entre Nikolas e Vorcaro. O deputado também reconheceu que o banqueiro ajudou em deslocamentos realizados durante o segundo turno da eleição presidencial de 2022.
Nikolas confirma ponte para ex-assessor
Nikolas afirmou que o contato de Vorcaro chegou até ele por intermédio do pastor André Valadão, amigo do banqueiro. Segundo o deputado, Thiago Faria pediu sua ajuda para iniciar uma conversa sobre a venda de ativos.
“Meu ex-assessor, que é advogado, chegou e falou: ‘Nikolas, tem um cara aí que eu quero entrar em contato para vender algumas coisas. Você faz a ponte?’ Falei: ‘Sim’”, declarou.
O parlamentar confirmou que encaminhou o contato do advogado a Vorcaro, mas sustentou que não conhecia os detalhes da negociação.
Nikolas também afirmou que Faria deixou de conversar com o banqueiro quando tomou conhecimento dos problemas envolvendo o Banco Master. A transcrição fornecida não apresenta documentos que permitam verificar essa cronologia.
Deputado nega pagamentos, contratos e encontros
No vídeo, Nikolas declarou que nunca recebeu dinheiro de Vorcaro e que não se encontrou pessoalmente com o banqueiro.
“Eu nunca recebi um tostão do Vorcaro. Eu nunca encontrei com ele”, disse.
O deputado acrescentou que não existem contratos celebrados por ele, sua esposa ou seus filhos com o banqueiro. Também afirmou que eventuais novas mensagens não mostrarão encontros sociais ou sua inclusão em listas de pagamentos.
A defesa apresentada por Nikolas se concentra na ausência, segundo ele, de benefícios financeiros e relações comerciais. O parlamentar não negou os contatos nem a intermediação para Thiago Faria.
Ajuda em viagens de 2022 é reconhecida
Nikolas também confirmou que Vorcaro ajudou nos deslocamentos de uma caravana realizada no segundo turno das eleições de 2022. Naquele momento, o deputado já estava eleito e participava de eventos no Nordeste em apoio à reeleição de Jair Bolsonaro.
Segundo Nikolas, ele não conhecia Vorcaro nem sabia da relação do empresário com o Banco Master. O parlamentar afirmou que a ajuda foi viabilizada por meio de um amigo em comum.
“Daniel Vorcaro ajudou há quatro anos, quando não tinha nenhum tipo de indício criminoso ou ilegal sobre ele”, declarou.
O deputado argumentou que desconhecia qualquer irregularidade atribuída posteriormente ao banqueiro.
Divergência sobre expressão usada no áudio
Nikolas também contestou a informação do ICL de que teria chamado Vorcaro de “lindão”. O deputado acusou a reportagem de mentir e afirmou que a palavra não aparece no áudio.
“Eu nunca chamei ele de ‘lindão’. Inclusive, a reportagem mente a respeito disso”, disse.
A publicação original do ICL, entretanto, atribuiu ao deputado uma fala que terminaria com a expressão “um abraço, lindão”. Há, portanto, uma divergência direta entre a reportagem e a resposta apresentada pelo parlamentar.
Postagem sobre evento em Londres
O deputado confirmou ainda que conversou com Vorcaro sobre uma publicação feita em abril de 2024. Na ocasião, Nikolas solicitou informações sobre o financiamento de um evento em Londres com a participação de autoridades brasileiras.
Segundo o parlamentar, André Valadão informou que Vorcaro não havia gostado da postagem. Nikolas sustentou que não retirou a publicação e que explicou ao banqueiro não saber que o Banco Master pertencia a ele.
A reportagem do ICL afirmou que o áudio continha um pedido de desculpas de Nikolas. Na resposta, o deputado apresentou o diálogo como uma explicação sobre o episódio e negou que estivesse tentando proteger Vorcaro.
Ataques a autoridades e tese de “cortina de fumaça”
Durante a manifestação, Nikolas comparou sua relação com Vorcaro a contatos que atribuiu a integrantes do Judiciário, da Procuradoria-Geral da República, da Polícia Federal e do Congresso.
O deputado fez acusações contra essas autoridades, mas não apresentou, no vídeo ou na transcrição enviada, documentos que comprovem as alegações. Ele também classificou a divulgação dos áudios como uma tentativa de desgastá-lo e desviar a atenção de denúncias envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
Ao final, Nikolas disse que decidiu responder por considerar que não havia conteúdo comprometedor nas conversas. A resposta confirma os contatos, a ponte para o ex-assessor e a ajuda nos deslocamentos de 2022, mas nega contrapartidas financeiras ou participação do deputado em negócios com Vorcaro.
