Nikolas admite que Bolsonaro será condenado por tentar golpe

Em coletiva em Uberlândia, deputado disse que ex-presidente é alvo de processo sem provas de corrupção, mas reconheceu narrativa de golpe.

Adelino Júnior
Nikolas Ferreira concede coletiva de imprensa em Uberlândia, setembro de 2025
Deputado Nikolas Ferreira fala à imprensa em Uberlândia — Foto: Regionalzão

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Durante coletiva nesta quarta-feira (3.set.2025), em Uberlândia, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) fez declarações que chamaram atenção ao falar sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Embora tenha defendido Bolsonaro, Nikolas admitiu que o processo trata de uma tentativa de golpe, mas relativizou a gravidade ao compará-lo com casos de corrupção.

“É o primeiro presidente da República que está sendo condenado por tentativa de golpe, e não por corrupção. Isso diz muito sobre ele.”

O discurso

O deputado adotou uma linha de defesa: reconheceu que o processo envolve uma tentativa de golpe — ou seja, um crime pelo qual Bolsonaro responde — mas procurou transformá-lo em atestado de honestidade, ao contrastar com ex-presidentes acusados de corrupção. Na visão de Nikolas, o julgamento é marcado por parcialidade.

“Colocaram cinco argentinos para julgar um Pelé. Não há condições de isenção nesse processo.”

Ele voltou a criticar ministros do STF, sobretudo Alexandre de Moraes, e acusou a Corte de agir politicamente.

Manifestações esvaziadas

Nikolas também comentou sobre a ausência de mobilização de apoiadores em Brasília durante o julgamento. Usou uma metáfora futebolística para explicar o desânimo das bases:

“Se eu te falasse que Cruzeiro e Atlético já foi comprado, a torcida nem iria ao Mineirão. Todo mundo já sabe o resultado. É por isso que não houve manifestação.”

Fachada do STF vazia no julgamento de Jair Bolsonaro, setembro de 2025
Fachada do STF sem manifestações durante julgamento de Bolsonaro — Foto: Regionalzão

Para ele, o processo já estaria decidido, o que desestimula a ida de manifestantes às ruas. A fala foi reforçada por críticas ao governo Lula, que segundo o deputado adota padrões duplos ao tratar aliados investigados.

Bastidores políticos

A fala reforça o dilema da direita: enquanto tenta blindar Bolsonaro no julgamento, ao mesmo tempo ecoa a narrativa de que houve uma tentativa de golpe, ainda que não concretizada. Para aliados, essa linha de defesa mobiliza a base, mas também abre espaço para críticas de contradição.

Nikolas ainda citou exemplos de condenados por atos de 8 de janeiro e defendeu a anistia ampla. “Se fosse gente do PT, não teria ninguém preso.”


Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.

Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

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