A fala do deputado federal Nikolas Ferreira, nesta quarta-feira (7), durante coletiva em Belo Horizonte, foi além do discurso protocolar. Entre linhas e pausas, o parlamentar deixou pistas relevantes sobre o xadrez político de Minas Gerais para 2026.
Ao comentar a relação com Mateus Simões, vice-governador, Nikolas fez questão de afastar a ideia de apoio formal. Mas confirmou uma aproximação prática, motivada pelo redesenho das articulações no estado.
“É uma relação não de apoio, mas de trabalho”, afirmou.
Segundo Nikolas, o movimento ocorre porque o governador Romeu Zema estaria concentrado em avaliar cenários para uma disputa majoritária em âmbito nacional.
“O Zema está num trabalho mais específico de ver se ele vai às eleições majoritárias em âmbito presidencial”, disse.
A declaração chama atenção por um detalhe: ao citar o cenário presidencial, Nikolas não delimita o papel de Zema. Não fala apenas em candidatura própria. Deixa em aberto a possibilidade de composição — inclusive como vice.
Bastidores e o fator Bolsonaro
Nos bastidores, cresce a leitura de que Zema pode integrar uma chapa nacional ligada ao bolsonarismo, possivelmente como vice de Flávio Bolsonaro. A fala de Nikolas, ainda que indireta, reforça esse campo de especulação.
Enquanto isso, em Minas, Mateus Simões aparece como operador político do governo, ocupando espaço e acumulando diálogo com lideranças alinhadas à direita.
Nikolas também fez questão de destacar que decisões não passam por uma única pessoa. Segundo ele, o processo é coletivo.
“Toda definição acontecerá em Minas é um grupo, não é somente uma voz”, afirmou.
Mesmo assim, deixou claro o peso que carrega.
“O meu apoio nas eleições, para qualquer que seja o candidato definido, eu acho que vai ser muito importante”, completou.
Linha vermelha: o PT
Ao encerrar, Nikolas reforçou um discurso que tende a unificar diferentes alas da direita mineira: a rejeição ao retorno do PT.
“O que a gente não pode deixar é o PT voltar ao governo de Minas ou algum representante deles. E o mesmo acontece em nível nacional”, disse.
A fala resume o tom que deve marcar 2026 em Minas: menos anúncio formal, mais recados indiretos. E, principalmente, articulação em silêncio.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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