Os vereadores Dr Igino (PT) e Queijinho (PSDB) protagonizaram um debate acalorado sobre a ocupação de terras realizada pelo Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL), em Uberlândia. A discussão ocorreu no No Contraditório, quadro da categoria Poder do Regionalzão.
De um lado, Igino defendeu a ocupação e a atuação do movimento. Do outro, Queijinho classificou a ação como ilegal e defendeu a retirada dos ocupantes.
Além da divergência política, os dois vereadores apresentaram versões diferentes sobre a propriedade da área.
Igino defende ocupação e critica Queijinho
Durante o debate, Igino parabenizou o MTL e relacionou a ocupação à defesa da reforma agrária e da moradia.
“Primeiro, quero dar os parabéns para o MTL, que está denunciando a corrupção, ocupou uma área do Banco Master e está lutando pela reforma agrária e pela moradia”, afirmou.
A afirmação sobre a propriedade da área foi contestada imediatamente por Queijinho. Na nota divulgada no domingo (30), o próprio MTL afirmou que a área de 96,76 hectares da Fazenda Bom Jardim estaria em nome do Fundo de Investimento Imobiliário Bacuri, e não diretamente do Banco Master.
Igino também criticou a atuação política de Queijinho e citou o episódio envolvendo um advogado durante a ocupação.
“Teve um advogado algemado trabalhando, não falou nada. E, como político, na hora que tem a ocupação ele é contra, mas depois vai pedir voto”, disse.
Na sequência, o petista afirmou considerar legítima a ocupação de terras.
“O que é crime é grilagem de terra. Em Uberlândia, o que não falta é matrícula sobreposta e rolo de terra. Agora, ocupação de terra é legítima e necessária”, declarou.
As alegações feitas pelo vereador sobre grilagem e matrículas sobrepostas não foram acompanhadas, durante o debate, da apresentação dos casos específicos aos quais ele se referia.
Queijinho diz que ocupação é ilegal
Queijinho rebateu Igino e afirmou que a área pertence a um proprietário rural particular. Segundo ele, houve inclusive ingresso na Justiça com um interdito proibitório.
“A ocupação é totalmente ilegal. A área não é de propriedade do Banco Master. É de propriedade de um particular, de um produtor que reside em Uberlândia. É uma área produtiva”, afirmou.
O vereador também elogiou a atuação da Polícia Militar e defendeu a retirada das pessoas que permanecem no local.
“Toda e qualquer invasão deve ser repelida. Nos próximos dias, nós vamos continuar acompanhando e, com certeza, as pessoas serão retiradas do local”, declarou.
Queijinho afirmou respeitar pedidos de reforma agrária, mas disse discordar da forma utilizada pelo movimento.
“A gente respeita todo e qualquer pedido de reforma agrária que está contemplado na Constituição Federal, mas, infelizmente, a forma como foi feita a invasão nós não concordamos.”
Vereadores divergem sobre destino da área
Igino afirmou que o objetivo do MTL é conseguir assentamento para aproximadamente 300 famílias. Também mencionou a possibilidade de utilização da área para moradia.
“A luta do MTL é para assentar 300 famílias de reforma agrária, mas lá também pode ser um bairro igual o Glória. Nós vamos fazer lá mais de cinco mil lotes para garantir moradia digna para as famílias”, disse.
A fala representa a posição apresentada por Igino no debate. A nota oficial do MTL divulgada após a ocupação reivindica a permanência das famílias até o assentamento definitivo, cadastramento pelo Incra e vistoria de imóveis, mas não menciona a criação de cinco mil lotes na área.
O debate terminou sem consenso. Igino sustentou a legitimidade da ocupação e a permanência das famílias, enquanto Queijinho manteve a posição contrária e afirmou acreditar que os ocupantes serão retirados.

E lembrar que a reforma agrária é uma das etapas do capitalismo.