O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, voltou a chamar atenção nas redes sociais ao divulgar um vídeo musical criado com auxílio de inteligência artificial. A peça, que inclui até a participação do vice-governador, aposta em humor e linguagem típica da internet para ampliar alcance digital — mas também reacendeu um debate incômodo nos bastidores da política: Zema está assumindo, de vez, o papel de “candidato bizarro” da eleição?
A estratégia foi detalhada em matéria recente da Coluna Poder, que mostrou como Zema recorreu à IA e ao humor para impulsionar suas redes. O movimento, no entanto, não surgiu no vazio. Ele ocorre justamente num momento em que o governador tenta se projetar nacionalmente, mas ainda aparece com desempenho modesto nas pesquisas eleitorais.
Entre o viral e o voto
Não é a primeira vez que Zema vira assunto mais pelo inusitado do que pelo conteúdo político. Episódios como o vídeo em que come banana com casca ou a declaração de que não seria uma pessoa “beliscosa” já haviam rendido ampla repercussão digital.
Em agosto deste ano, durante passagem por Uberlândia, o próprio governador foi questionado diretamente sobre esse risco. Na ocasião, a Coluna Poder perguntou como ele pretendia não cair no estereótipo de candidatos lembrados mais pela zoeira do que pela competitividade eleitoral — tema abordado na matéria publicada após a visita à cidade.
Zema respondeu afirmando que não se vê como radical e que sua trajetória de quase sete anos à frente do governo de Minas o diferenciaria desse tipo de candidatura. Argumentou que a direita brasileira teria amadurecido e que o eleitor estaria cansado de radicalismo.
O novo vídeo com IA, porém, reabre a discussão.
Pesquisas mostram dificuldade de tração
Apesar da criatividade digital, os números das pesquisas eleitorais nacionais mais recentes não indicam, até agora, um crescimento consistente de Zema como presidenciável.
Levantamentos divulgados ao longo de 2025 por institutos como Quaest e AtlasIntel mostram o presidente Lula liderando com folga os cenários de primeiro turno, geralmente com percentuais próximos de 40%. Já Zema aparece distante, em faixas que variam de um dígito médio a baixo, atrás de outros nomes mais consolidados da direita.
Nos cenários de segundo turno, o governador mineiro também aparece em desvantagem frente a Lula, com margens que reforçam a leitura de que sua pré-campanha ainda não conseguiu tracionar eleitoralmente fora de Minas.
É justamente esse contraste — alta visibilidade digital e baixa competitividade nas pesquisas — que alimenta a comparação com figuras como Padre Kelmon, Enéas, Cabo Daciolo e Levi Fidelix, cuja notoriedade em eleições passadas veio mais pelo folclore do que pelo voto.
O vice entra no palco
Outro elemento que chama atenção no vídeo é a participação direta do vice-governador. Ao incluí-lo na peça musical criada por IA, Zema sinaliza que a estratégia não é improvisada, mas parte de uma construção coordenada de imagem e comunicação.
Para aliados, trata-se de uma tentativa legítima de dialogar com novas audiências. Para críticos, o risco é reforçar uma caricatura que pode até render curtidas, mas não votos.
O dilema da pré-campanha
A dúvida que se impõe é se Zema conseguirá equilibrar humor, tecnologia e seriedade política. O próprio governador já reconheceu que viralizar não garante sucesso eleitoral. Ainda assim, ao dobrar a aposta em conteúdos de entretenimento, ele parece testar os limites dessa fronteira.
Se será lembrado como um gestor que conseguiu traduzir resultados em linguagem digital ou como o “Padre Kelmon da vez” é algo que só o tempo — e as urnas — dirão.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

Além ser ruim na oratória e na linguagem corporal, e conceder entrevistas desastrosas, agora para ganhar uma atenção ínfima lança esses memes, para alegria dos eleitores não vai emplacar, além de ter outros candidatos com maior visibilidade.