Durante entrevista ao Poder Entrevista, o pré-candidato ao Governo de Minas Gerais, Gabriel Azevedo, fez uma das declarações mais simbólicas da conversa ao tratar da polarização política e da tentativa constante de rotular lideranças como sendo “de esquerda” ou “de direita”.
Em tom didático, ele afirmou que o debate ideológico, da forma como é feito hoje, pouco contribui para resolver os problemas reais da população.
“Coloca duas pessoas numa sala: uma muito de esquerda e outra muito de direita. As duas vão sair achando que eu sou do lado oposto. Isso mostra como esse debate virou algo caótico”, afirmou.
Crítica à política de rótulos
Segundo Gabriel Azevedo, a obsessão por encaixar políticos em caixas ideológicas atende mais à lógica das redes sociais do que às necessidades do cidadão.
“Inflação não é de esquerda nem de direita. Bala perdida não é ideológica. Buraco na estrada também não é”, disse.
Para ele, o foco excessivo em rótulos virou uma forma de substituir o debate sobre soluções concretas. “Tem gente que vive de curtida, de vídeo curto, de grito. Isso não melhora hospital, não constrói ferrovia e não resolve a vida de ninguém”.
Política além da polarização
Ao longo da entrevista concedida em Uberlândia, Gabriel defendeu que bons governos precisam buscar referências onde elas funcionam, independentemente do espectro político.
“Eu quero saber o que dá resultado. Se funciona no Chile, no Uruguai, na Austrália ou no Japão, eu quero entender e adaptar para Minas”, afirmou.
Ele disse não aceitar a ideia de que buscar eficiência seja automaticamente associado a um campo ideológico. “Quem usa a cabeça para pensar não anda com coleira”, completou.
Discurso que ecoa em Uberlândia
A fala ganhou repercussão especial em Uberlândia, cidade onde o debate político tem sido marcado por forte sentimento antipetista e tentativas frequentes de rotular adversários.
Durante a entrevista, o próprio Gabriel foi comparado ao discurso adotado pelo prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio, que tem repetido que não governa com base em rótulos ideológicos, mas em soluções práticas.
“O povo está cansado. O Brasil está cansado. O que falta é política que resolva problema”, resumiu o pré-candidato.
Uma aposta no debate de propostas
Para Gabriel Azevedo, a insistência na polarização empobrece o debate público e afasta a política das pessoas comuns.
“Quem quer melhorar a vida das pessoas não pode ter preconceito de conversar com ninguém. A solução vale mais do que o rótulo”, concluiu.
Esse conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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