A empresa Way Concessões venceu o leilão da chamada Rota Sertaneja, realizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no último dia 6 de novembro, e vai assumir a concessão de mais de 1.000 quilômetros das BRs 153 e 262, ligando o sul de Goiás ao Triângulo Mineiro.
Com uma proposta de outorga zero e compromisso de investir R$ 10,1 bilhões ao longo de 30 anos, a concessão promete modernizar a infraestrutura rodoviária da região. Mas uma mudança estrutural chama atenção e já gera controvérsias: o novo modelo de cobrança será o pedágio eletrônico por free flow — também conhecido como “pedágio invisível”.
Como funciona o pedágio invisível
No modelo free flow, não existem praças físicas de pedágio. A cobrança é feita por meio de pórticos com sensores e câmeras que identificam a placa ou a tag eletrônica do veículo. O usuário deve pagar a tarifa via site, aplicativo, WhatsApp ou por sistemas automatizados, dentro do prazo de 30 dias. Caso não pague, será multado.
A infração está prevista no artigo 209 do Código de Trânsito Brasileiro: quem deixa de pagar pedágio comete infração grave, com multa no valor de R$ 195,23, além de 5 pontos na CNH. O motorista também pode ser inscrito em dívida ativa caso não quite o débito após notificação.
Trechos impactados e operação digital
Os trechos mineiros contemplam cidades como Uberaba, Comendador Gomes, Frutal e Araporã, áreas com intenso fluxo de caminhões, veículos agrícolas, transporte escolar e turismo rural. Serão instalados cinco pórticos eletrônicos ao longo do trecho, com cobrança proporcional à distância percorrida.
A ANTT afirma que o modelo traz mais fluidez, menos retenção e tarifas mais justas. No entanto, usuários já relatam dificuldades em estados onde o sistema foi adotado. Em São Paulo e no Espírito Santo, por exemplo, há queixas recorrentes sobre falta de sinalização, cobranças duplicadas e problemas no acesso às plataformas de pagamento.

População será informada?
A implantação do sistema já está prevista no próprio edital, sem necessidade de consulta pública adicional. Críticos alegam que o modelo foi “empurrado goela abaixo” e que o ônus da adaptação recai sobre o usuário. Quem não tiver acesso digital, não receberá boleto físico. E quem desconhecer o sistema, pode ser surpreendido com multas.
Na África do Sul, o modelo foi abandonado após baixa adesão. No Brasil, já há ações judiciais tramitando contra o sistema, especialmente no estado de São Paulo.
Modernização ou armadilha?
A Way Concessões terá a missão de tornar o modelo eficiente, acessível e seguro para todos os usuários. A empresa assumirá a operação ainda em 2026. Até lá, a expectativa é que haja campanhas de conscientização e facilitação dos meios de pagamento, especialmente para públicos mais vulneráveis, como idosos, moradores rurais e quem não usa serviços digitais.
A promessa de modernização é bem-vinda, mas o desafio será garantir que ela não se transforme em armadilha.
Saiba mais:
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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Gente nos Estados Unidos da América já é com esse tipo de sistema a anos e funciona perfeitamente, o grande gape da questão é o sistema (software) que tem que receber uma boa parte do investimento para que seja de tecnologia de ponta. O resto, tem que ser guela a baixo mesmo se não nosso país continua sendo esse país fraco e subdesenvolvido que é hoje.