Durante visita a Ituiutaba, no Pontal do Triângulo Mineiro, na última sexta-feira, o deputado federal Mário Heringer(PDT) comentou ao Regionalzão um dos debates que vem ganhando força no Congresso Nacional: a possibilidade de quebra da patente do medicamento Mounjaro (tirzepatida), utilizado no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Em entrevista concedida durante agenda política em Ituiutaba, Heringer afirmou que o tema precisa ser tratado sob a perspectiva da saúde pública e não apenas pelo impacto econômico da indústria farmacêutica.
“A obesidade é uma doença crônica grave e está ligada a mais de duzentas outras doenças. Esperar vinte anos para quebrar a patente de um medicamento como esse significa atrasar o tratamento de milhões de pessoas”, afirmou o deputado ao Regionalzão.
Segundo ele, a discussão sobre a flexibilização da patente envolve forte resistência da indústria farmacêutica, que atua para manter a exclusividade comercial do medicamento.
“Existe um lobby muito forte das farmacêuticas. Mas precisamos olhar para o impacto disso na saúde pública e nos custos que o país paga quando essas doenças avançam”, disse.
Medicamento virou tema nacional
O Mounjaro tem ganhado destaque no Brasil e em outros países por apresentar resultados expressivos no controle da obesidade e na melhora de indicadores metabólicos.
Apesar da eficácia apontada por estudos clínicos, o custo do tratamento ainda é considerado elevado para grande parte da população. Atualmente, o medicamento pode custar milhares de reais por mês, o que limita o acesso a uma parcela restrita de pacientes.
Para defensores da quebra de patente, permitir a produção de versões genéricas ou similares poderia ampliar o acesso ao tratamento e reduzir custos tanto para pacientes quanto para o sistema de saúde.
Impacto na saúde pública
Especialistas apontam que a obesidade está associada a mais de 200 doenças, incluindo hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral (AVC).
Por isso, o tratamento da obesidade tem sido tratado cada vez mais como uma estratégia de prevenção em saúde pública.
Na avaliação de Heringer, ampliar o acesso a medicamentos eficazes pode reduzir gastos futuros com tratamentos de complicações graves.
“Quando você trata a obesidade, você reduz diabetes, reduz infarto, reduz AVC e uma série de outros problemas. Isso significa menos sofrimento para as pessoas e menos custo para o sistema de saúde”, afirmou.
Debate deve crescer no Congresso
O tema ainda deve gerar forte debate político no Congresso Nacional, especialmente diante da pressão de setores da indústria farmacêutica e da crescente demanda por tratamentos para obesidade.
Com o aumento dos casos da doença no Brasil, parlamentares e especialistas avaliam que a discussão sobre acesso a medicamentos inovadores deve ganhar cada vez mais espaço nas políticas públicas de saúde.
Coluna Poder • Conteúdo assinado por Adelino Júnior , jornalista e editor-chefe do Regionalzão, acompanhando os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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