O prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Falcão, entrou de vez no radar da política estadual. Em entrevista ao Poder Entrevista, do Regionalzão, ele confirmou que está disposto a participar de um projeto para o futuro de Minas Gerais — seja apoiando uma candidatura ao governo, seja colocando o próprio nome na disputa.
Falcão ganhou projeção nos últimos meses ao vencer a eleição da AMM contra a máquina do governo estadual e, desde então, passou a vocalizar um discurso que ecoa entre prefeitos do interior: mais autonomia, mais recursos e menos decisões concentradas na capital.
“Minas precisa voltar a ser protagonista nacional. Isso só vai acontecer quando o interior for ouvido de verdade”, afirmou.
Aproximação com Cleitinho e cenário eleitoral
Questionado sobre a proximidade com o senador Cleitinho, Falcão confirmou que o diálogo existe e vem de algum tempo. Segundo ele, o senador tem destinado emendas a Patos de Minas e mantém presença frequente na região.
“Se o Cleitinho for candidato a governador, ele tem o meu apoio. Caso contrário, eu penso seriamente em colocar o meu nome”, disse.
O prefeito ponderou que qualquer decisão passa por um fator central: seu atual mandato, que vai até 2028. Uma eventual candidatura exigiria renúncia ao cargo.
“Não trato isso de forma leviana. Mas não fujo de desafio quando o projeto é maior do que o cargo”, reforçou.
Interior versus capital
Um dos pontos mais enfáticos da entrevista foi a crítica à visão, segundo ele, distorcida que parte da capital tem sobre o interior de Minas.
“O Brasil é carregado pelo interior. O PIB de Minas está majoritariamente fora de Belo Horizonte, mas as decisões continuam concentradas em duas bolhas: BH e Brasília”, afirmou.
Falcão defendeu que Minas é um estado plural, com realidades completamente diferentes entre regiões como Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Norte, Sul e Zona da Mata.
“Não dá para governar Minas achando que o interior se resume a pão de queijo e foto em festa. Tem que conhecer estrada rural, produção de leite, café, suinocultura, logística e custo de frete”, disparou.
Críticas a Mateus Simões e defesa da AMM
O momento mais duro da entrevista foi ao tratar do embate com o vice-governador Mateus Simões. Falcão classificou como inaceitável a postura adotada pelo governo em relação às prefeituras e, principalmente, à sua família.
Segundo ele, houve retaliação institucional após cobranças para que o Estado assuma custos hoje bancados pelos municípios, especialmente na área da segurança pública.
“O município fica com apenas 10% da arrecadação, mas banca aluguel, água, luz, internet e até servidores da polícia. Isso não é razoável”, afirmou.
Sobre o episódio envolvendo sua esposa, a deputada estadual Lud Falcão, o tom foi ainda mais firme:
“Com a minha família não se brinca. Política nenhuma justifica agressividade e desrespeito, ainda mais contra uma parlamentar eleita”, disse.
Projeto para Minas
Falcão deixou claro que não trabalha um projeto pessoal, mas uma construção coletiva.
“Minas precisa de coragem, inovação, tecnologia e um plano de voo. Não dá para viver eternamente do discurso de que o passado não pode voltar. Precisamos falar de futuro”, afirmou.
Ele citou problemas estruturais como pedágios caros sem contrapartida, estradas precárias, filas na saúde e a necessidade de um novo pacto federativo dentro do estado.
“O segundo mandato do governador equilibrou as contas. Agora, Minas espera entregas”, concluiu.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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