O dia 1º de junho marcou o início da primeira ofensiva de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais como pré-candidato à Presidência da República. A visita não é protocolar. É estratégica — e o PL sabe disso.
Enquanto o senador cumpria agenda em Belo Horizonte, o deputado federal Zé Vitor, presidente do PL em Minas Gerais, conversou com o Regionalzão em Araguari, durante o evento de abertura da Safra Mineira de Café 2026. Na entrevista, ele deu o tom de como o partido enxerga os próximos meses — e deixou claro que o nome de Cleitinho Azevedo (Republicanos) é o preferido para encabeçar a chapa ao governo do estado.
Minas como termômetro nacional
Zé Vitor não esconde a importância do movimento. “Minas é estratégico. A gente sabe que a base de uma eleição nacional aqui é bem o retrato que é o Brasil”, afirmou o deputado.
A lógica tem fundamento histórico: desde a redemocratização, nenhum presidente foi eleito sem vencer em Minas Gerais. O estado possui o segundo maior colégio eleitoral do país e concentra um eleitorado heterogêneo — exatamente o perfil que o PL precisa conquistar para transformar a pré-campanha de Flávio em uma candidatura viável ao segundo turno.
A agenda de Flávio no estado prevê passagem por Belo Horizonte e região metropolitana, com participação no “Grande Encontro do PL Minas” no dia 2 de junho, além de visita a Patos de Minas para a Fenamilho, uma das maiores feiras do agronegócio do Triângulo Mineiro.
Zé Vitor fora da majoritária — mas o PL mantém opções na mesa
Zé Vitor foi direto ao ser perguntado sobre seu nome para a disputa majoritária: “Eu primeiro descarto qualquer possibilidade de eu participar de uma chapa majoritária. Eu sei qual é a minha função — organizar, conectar pessoas, construir pontes. É isso que estou na presidência do PL para fazer.”
O recado é pessoal, não partidário. O PL não descarta ter candidato próprio ao governo de Minas. Nomes como Flávio Roscoe e Vittório Medioli seguem cotados dentro da sigla — e a hipótese de o partido encabeçar a chapa majoritária, com os Republicanos indicando o vice, ainda está sobre a mesa. O que o partido já fechou é o palanque presidencial: apoio incondicional a Flávio Bolsonaro.
Cleitinho como favorito — e a indefinição que persiste
O cenário mais provável que emerge dos bastidores é uma aliança PL-Republicanos com Cleitinho Azevedo na cabeça de chapa para o governo, Domingos Sávio (PL) no Senado, e Flávio Bolsonaro no palanque presidencial.
Mas há um problema: o próprio Cleitinho ainda não decidiu se quer ser candidato.
“Hoje o Cleitinho é o favorito. Depende muito dele essa decisão. Ele tá avaliando. Tem um propósito dentro do senado, um projeto político. Não passava pela cabeça dele ser governador. Mas ele tem se organizado para construir o melhor projeto de Minas Gerais”, disse Zé Vitor.
Cleitinho lidera com folga todas as pesquisas para o governo estadual — na última Genial/Quaest, aparecia com pelo menos 30% em todos os cenários simulados. O senador de Divinópolis tem capital político acumulado: em 2022, quando foi eleito, somou 4,2 milhões de votos. Seu nome cotado para vice é Luís Eduardo Falcão (Republicanos), ex-prefeito de Patos de Minas.
Valdemar, Marcos Pereira e o tabuleiro que se monta
Zé Vitor revelou que as conversas já envolvem as cúpulas nacionais das duas siglas. “Já conversamos com o presidente nacional do PL, que é o Valdemar, e também com o Marcos Pereira, presidente do Republicanos. Tá todo mundo na mesma, já construindo e avaliando cenários com Cleitinho na cabeça.”
A equação, porém, tem mais variáveis. Nomes como Flávio Roscoe e Vittório Medioli (PL) seguem como opções caso a candidatura do senador não se confirme. A hipótese de inversão — PL como cabeça de chapa com os Republicanos indicando o vice — também não foi descartada.
O presidente do PL em Minas prefere a cautela: “A única coisa inegociável para nós é que o palanque seja para Flávio Bolsonaro no estado. Isso já foi acordado.”
A visita de Flávio a Minas Gerais começa a preencher uma lacuna importante. O estado-pêndulo, que decidiu as últimas eleições presidenciais, aguarda o tabuleiro se definir — e os próximos dias devem acelerar esse processo.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.
