O ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, confirmou que o Triângulo Mineiro passou a ser prioridade em sua reorganização política. Com domicílio eleitoral em Uberaba, ele afirma que a decisão está ligada tanto à sua atuação empresarial quanto a uma estratégia eleitoral estruturada para 2026.
“Não faz sentido eu morar, investir e trabalhar em Minas e fazer política em outro estado”, afirmou durante entrevista ao Poder Entrevista.
Cunha foi uma das figuras centrais do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e segue sendo um personagem que provoca debates intensos no cenário político nacional.
Presença no Triângulo passa por negócios e comunicação
Segundo ele, a aproximação com o Triângulo Mineiro não é recente. O ex-parlamentar afirma ter investimentos em diferentes regiões de Minas Gerais, incluindo agronegócio, indústria e mineração. No Triângulo, o principal vetor de presença tem sido a comunicação.
Eduardo Cunha é responsável pela implantação de uma rede de rádios FM religiosas em Minas, a Rede 89, que já opera em cidades como Uberaba, Uberlândia, Frutal e Araxá.
“A rádio é um instrumento de evangelização, louvor e palavra de Deus, mas também me aproximou muito da região”, explicou.
Além disso, ele confirmou envolvimento com o Uberaba Sport Club, por meio de patrocínio da emissora, e destacou a cobertura esportiva em Uberlândia como parte da estratégia de inserção regional.
Uberaba como base eleitoral
Questionado sobre a escolha de Uberaba como domicílio eleitoral, Cunha foi direto ao afirmar que “em política nada é totalmente por acaso”. Segundo ele, a cidade reúne características estratégicas, como eleitorado expressivo, força do agronegócio e ausência de representantes federais e estaduais.
Ele também confirmou uma dobradinha política com Rodrigo Alcino, presidente do Uberaba Sport Club, que deve disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
“A eleição é um somatório. Não pretendo ser majoritário em nenhuma cidade, mas vou tratar cada apoio como se fosse”, afirmou.
Diferença em relação à tentativa por São Paulo
Eduardo Cunha também explicou sua passagem por São Paulo, onde tentou viabilizar uma candidatura em 2022. Segundo ele, o movimento teve como principal objetivo não disputar espaço político com a filha, deputada federal pelo Rio de Janeiro.
“Eu não tinha nenhuma pretensão real de me eleger em São Paulo. Não se constrói uma eleição em 30 dias naquele estado”, avaliou.
Para ele, o cenário mineiro é completamente diferente, já que vem sendo trabalhado há cerca de dois anos, com base política, alianças e presença constante.
Avaliação da Câmara dos Deputados
Ao analisar a atual condução da Câmara, Cunha evitou comparações diretas, mas destacou que o perfil do presidente da Casa reflete a forma como foi eleito.
“Quem vence no confronto governa com quem ganhou junto. Quem vence por consenso precisa equilibrar forças”, disse, ao comparar diferentes modelos de eleição interna na Câmara.
Ele também comentou que consensos construídos antes da eleição são diferentes daqueles que surgem por adesão posterior, o que impacta diretamente o estilo de comando.
Críticas ao mandato digital e à monetização
Um dos momentos mais críticos da entrevista foi quando Cunha comentou o perfil de parlamentares que concentram atuação nas redes sociais.
“Hoje existe uma política que se confunde com monetização de vídeo. Isso não pode ser o centro da atividade parlamentar”, afirmou.
Para ele, o eleitor precisa avaliar o “fruto” do mandato, que vai além de discursos e vídeos:
“Quantos projetos aprovou? Qual foi a atuação nas comissões? Que resultados entregou para a região?”, questionou.
Cunha defendeu, inclusive, o debate sobre a proibição da monetização de conteúdo digital por parlamentares em exercício.
Livro sobre o impeachment e novos projetos
Autor do livro Tchau, Querida – O Diário do Impeachment, com mais de 800 páginas, Eduardo Cunha afirmou que prepara uma edição mais compacta da obra e já pensa em uma continuação.
O novo livro, segundo ele, deve ser escrito apenas após as eleições.
“Se Deus permitir, o próximo será o ‘Voltei, querida’”, brincou.
Cenário nacional e prazos decisivos da política brasileira
Ao comentar o cenário presidencial, Cunha foi pragmático: destacou que o prazo de desincompatibilização, em abril, será determinante.
“O tempo resolve tudo. Até lá, é futurologia”, resumiu, citando indefinições envolvendo nomes como Tarcísio de Freitas, PSD, Bolsonaro e possíveis rearranjos partidários.
Para Minas Gerais, ele avalia que o mesmo critério se aplica, com o quadro ficando mais claro após os prazos legais.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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Minas e o Triângulo Mineiro não precisam de mais esse político corrupto. FORA CORRUPTO !! Se depender do meu voto volta é pra cadeia.