O deputado estadual suplente João Júnior foi o convidado do Poder Entrevista e falou abertamente sobre os bastidores da política no Triângulo Mineiro, a construção de sua votação, as alianças regionais e os desafios de atuar politicamente fora dos holofotes, mesmo com forte presença institucional.
Com quase 22 mil votos na última eleição, João Júnior destacou que sua trajetória política não começou nas urnas. Antes disso, construiu carreira na gestão pública, participando ativamente das administrações do ex-prefeito Odelmo Leão, onde atuou como secretário municipal em pastas estratégicas e de alta complexidade.
“Eu não caí de paraquedas na vida pública. Participei dos quatro mandatos do Odelmo. Ele sempre foi minha escola política”, afirmou.
O apoio que não veio e a decisão de seguir
Durante a entrevista, João Júnior explicou por que não contou com o apoio direto do grupo político liderado por Odelmo Leão quando decidiu disputar uma vaga como deputado. Segundo ele, naquele momento, compromissos já estavam firmados com outros nomes do grupo.
“Chega uma hora em que a gente precisa mostrar serviço em outra área. Entendi que precisava dar esse passo, mesmo sem o apoio formal”, disse.
Apesar disso, avalia que o projeto foi positivo para Uberlândia e para a região, ampliando a representação local na Assembleia Legislativa e fortalecendo sua presença política.
O silêncio institucional nos anúncios de recursos
Um dos pontos mais sensíveis da entrevista foi o fato de João Júnior não ter tido espaço para se pronunciar durante eventos oficiais que anunciaram investimentos feitos com recursos destinados por seu mandato, como no caso de equipamentos esportivos em Uberlândia.
Segundo o deputado suplente, o episódio não gerou mágoa, mas ajudou a ilustrar como funciona o jogo institucional nos bastidores. Ele explicou que não se tratava de uma inauguração, mas de um anúncio de obra, o que, na prática, muda o protocolo político adotado em eventos públicos e, muitas vezes, restringe o uso da palavra.
“O recurso foi destinado pelo meu mandato. Se a obra existe, a população sabe de onde veio. Entendo a pressão política e sigo adiante”, afirmou.
Para ele, quando um investimento é relevante, ele naturalmente entra no radar político. Mesmo sem discurso no palco, o resultado final chega à população e cumpre seu papel público.
Relações políticas e articulação regional
Ao comentar rumores sobre atritos políticos, João Júnior negou qualquer animosidade com outros deputados da região e classificou os conflitos como ruídos normais de disputa por espaço entre equipes políticas.
Ele destacou ainda a relação próxima com prefeitos do Triângulo Mineiro e afirmou que hoje conta com o apoio de mais de 30 gestores municipais, resultado direto de presença constante, diálogo e destinação efetiva de recursos.
“Prefeito precisa resolver problema. Deputado existe para isso. Presença e entrega constroem confiança”, resumiu.
O tabuleiro de 2026 e os nomes da direita
Questionado sobre o cenário eleitoral, João Júnior avaliou que a direita em Minas Gerais precisa caminhar para uma unificação em torno de um projeto comum. Ele elogiou a atuação do vice-governador em exercício Mateus Simões, a quem classificou como gestor técnico e articulador, e declarou apoio à pré-candidatura ao Senado do secretário de Governo Marcelo Aro.
Sobre o deputado federal Zé Vitor, foi direto ao apontar o peso político do parlamentar no cenário nacional e regional, citando sua capacidade de articulação e entrega de resultados concretos para Uberlândia.
Odelmo Leão no jogo muda o cenário?
A confirmação da pré-candidatura de Odelmo Leão a deputado estadual, segundo João Júnior, muda o tabuleiro político regional, mas não inviabiliza projetos já em curso.
“Ele diminui a votação de todo mundo, mas não atrapalha decisivamente. Odelmo fortalece a região. Ter mais representantes é ganho político”, avaliou.
Conteúdo faz parte do Poder Entrevista, espaço dedicado a análises, bastidores e conversas diretas com lideranças políticas da região, apresentado por Adelino Júnior.
