A pré-candidatura do secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro, ao Senado por Minas Gerais começa a ganhar contornos mais nítidos no tabuleiro político de 2026. Diferentemente de outros nomes que ainda enfrentam disputas internas, Aro avalia que seu projeto não provoca ruídos dentro do campo de centro-direita justamente por ter propósito definido e base política consolidada.
Em entrevista ao Regionalzão, Aro afirmou que nunca escondeu o desejo de disputar uma vaga no Senado e que a clareza do projeto ajuda a reduzir resistências. “As pessoas sabem quais são meus motivos, minha pauta e o que pretendo fazer. Isso evita ruído”, afirmou.
Ruído político envolvendo Ludmila Falcão
Questionado sobre o recente desgaste envolvendo a deputada estadual Ludmila Falcão e o vice-governador Mateus Simões, Marcelo Aro minimizou o episódio. Para ele, trata-se de um ruído pontual, comum em grupos políticos que mantêm relações próximas.
“Isso acontece em qualquer grupo. Às vezes é um ruído de família. Não vejo crise política nem ruptura”, avaliou.
Segundo o secretário, o governo mantém estabilidade interna e capacidade de diálogo para superar desgastes pontuais sem comprometer o projeto político maior em curso no estado.
Projeto para o Senado e protagonismo de Minas
Ao tratar da pré-candidatura ao Senado, Marcelo Aro afirmou que Minas Gerais perdeu protagonismo no debate nacional nos últimos anos, apesar de sua relevância econômica e política. Para ele, o Senado deveria exercer papel mais ativo na defesa dos interesses do estado.
“De tudo que o mineiro paga de imposto, apenas cerca de 40% retorna para Minas. O papel do senador é ir à União buscar recursos e defender o estado”, disse.
Aro afirmou que pretende atuar como um senador articulador, capaz de dialogar com diferentes campos políticos para atrair investimentos federais. “O Senado é um espaço de construção. Não adianta gritar, é preciso negociar”, pontuou.
Inclusão como pauta central
Outro eixo central do discurso de Marcelo Aro é a defesa das pessoas com deficiência e doenças raras. O secretário falou de forma pessoal sobre a experiência com a filha, que possui uma condição rara e deficiência severa, e afirmou que essa vivência moldou sua atuação pública.
“Não é uma bandeira de ocasião. É a causa da minha vida”, afirmou.
Segundo ele, o Brasil ainda falha na formulação de políticas públicas voltadas a esse público. “Trinta por cento das pessoas com doenças raras morrem antes dos cinco anos. Isso não é destino, é falta de política pública”, disse.
Aro afirmou que, no Senado, pretende atuar diretamente na destinação de recursos para Apaes e instituições de apoio. “Minas tem centenas de Apaes que sobrevivem com dificuldade. O Estado precisa assumir essa responsabilidade”, declarou.
STF e equilíbrio entre os Poderes
Marcelo Aro também defendeu que o Senado reassuma seu papel constitucional de freio institucional em relação ao Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, há decisões que extrapolam as competências do Judiciário.
“Sem gritaria e sem desrespeito, mas o STF tem ido além do que a Constituição prevê. Cabe ao Senado fazer esse equilíbrio”, afirmou.
Para isso, Aro sustenta que são necessários três atributos: habilidade política, coragem e conhecimento técnico. “Não basta discurso. É preciso construir maioria e agir dentro das regras institucionais”, disse.
Continuidade do governo Zema e apoio a Mateus Simões
O secretário também comentou o cenário estadual e defendeu a continuidade do projeto iniciado pelo governador Romeu Zema. Segundo ele, a gestão conseguiu reorganizar as finanças do estado e criar condições para crescimento.
“Pegamos Minas com salários atrasados e desorganização fiscal. Hoje o estado está nos trilhos”, afirmou.
Aro declarou apoio à candidatura de Mateus Simões ao governo e disse que a sucessão representa a consolidação do atual ciclo administrativo. “É natural e saudável dar continuidade para não retroceder”, avaliou.
Relação com prefeitos do Triângulo Mineiro
Marcelo Aro destacou ainda a relação com prefeitos do Triângulo Mineiro e afirmou que mantém diálogo constante com lideranças municipais. Segundo ele, a base de prefeitos é fundamental para a execução de políticas públicas.
“O prefeito é quem sente o problema da população na ponta. Nosso papel é ouvir e ajudar a resolver”, disse.
Ele citou apoio de gestores de cidades como Uberlândia, Uberaba e Araguari ao projeto político que vem sendo construído em Minas Gerais.
Ao final da entrevista, Marcelo Aro afirmou que sua pré-candidatura ao Senado não é um projeto pessoal de poder, mas uma tentativa de ampliar a capacidade de transformação do estado. “É sobre melhorar a vida das pessoas e fortalecer Minas no cenário nacional”, concluiu.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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