O deputado federal Zé Vitor (PL) afirmou, em entrevista ao Poder Entrevista do Regionalzão, que a direita em Minas Gerais ainda está em fase de organização, mas trabalha com a expectativa de um candidato único ao governo em 2026.
Segundo ele, o cenário estadual depende diretamente de dois atores políticos: Romeu Zema e Rodrigo Pacheco.
“Minas depende muito de duas pessoas: Zema e Rodrigo Pacheco.”
Para o parlamentar, caso Zema deixe o governo para disputar a Presidência da República, o vice-governador Mateus Simões tende naturalmente a assumir o protagonismo estadual.
“Se Zema renunciar para disputar a Presidência, Mateus assume e só tem uma alternativa: ser candidato à reeleição.”
O embrulho do PSD e o papel de Kassab
Durante a entrevista, Zé Vitor analisou o posicionamento do PSD nacional. Ele avalia que o partido pode lançar candidatura própria à Presidência, mas deve liberar os estados para composições regionais.
Na visão do deputado, o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, tende a adotar postura pragmática.
“Cada estado deve tomar sua decisão. Minas tem suas próprias características.”
Ele também citou a movimentação de Rodrigo Pacheco e não descartou que o senador ainda avalie caminhos alternativos, inclusive fora da disputa direta pelo governo.
“Não vejo sinais claros de que ele esteja no ritmo de quem quer enfrentar os problemas estruturais de Minas.”
Nicolas concentra votos da direita
Zé Vitor foi direto ao tratar do impacto eleitoral de Nicolas Ferreira no campo conservador.
Para ele, o deputado concentra boa parte do eleitorado ideológico da direita em Minas, o que pode dificultar candidaturas com perfil semelhante.
“Quem disser que isso não vai acontecer está fugindo da realidade.”
Segundo o parlamentar, hoje existem três grandes blocos eleitorais no estado:
- O eleitorado da esquerda;
- O eleitorado fortemente identificado com Nicolas;
- Um terceiro grupo que busca representação regionalizada e atuação prática.
Zé Vitor defendeu que os deputados federais precisam ter presença regional e capacidade de articulação para garantir recursos e investimentos.
“Existe um bolo de recursos em Brasília. Quem tem força política e aponta urgências reais consegue trazer resultados.”
Ele citou como exemplo a duplicação da BR-365 e investimentos em hospitais regionais.
Senado totalmente aberto
Na avaliação do deputado, a disputa ao Senado em Minas está indefinida.
“O Senado de Minas está totalmente aberto.”
Ele ponderou que ainda não há um nome que tenha consolidado segurança e consenso entre os eleitores.
Carnaval, Lula e desgaste político
Questionado sobre o desfile de carnaval que fez homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Zé Vitor classificou o episódio como propaganda eleitoral antecipada.
“Não foi só homenagem. Houve conteúdo político explícito.”
Segundo ele, o episódio acabou afastando eleitores de centro e ampliando a polarização.
“O Brasil ainda preza por valores. Quando há exagero ideológico, o eleitor reage.”
Relação com prefeitos e defesa do pacto federativo
O deputado destacou que mantém relação próxima com mais de 50 municípios do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas.
Ele criticou o modelo de distribuição de recursos no país e defendeu o fortalecimento das prefeituras.
“Muito dinheiro fica em Brasília e pouco chega na ponta.”
Zé Vitor argumenta que os municípios assumem responsabilidades crescentes na saúde, educação e segurança, mas não recebem recursos proporcionais.
Direita busca projeto competitivo
Ao final da entrevista, o deputado demonstrou confiança na construção de uma candidatura viável ao governo de Minas.
“Eu acredito que a centro-direita e a direita vão encontrar um projeto competitivo e com capacidade de governar Minas.”
Para ele, o que Minas decidir influenciará diretamente o cenário nacional.
Coluna Poder • Conteúdo assinado por Adelino Júnior , jornalista e editor-chefe do Regionalzão, acompanhando os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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