Por que Nikolas segurava cheque de R$ 10 milhões se recurso real era de R$ 7,2 milhões?

Documentos oficiais do Estado e depoimento técnico de diretor do hospital desvendam a engenharia de marketing por trás da polêmica em Uberlândia.

Adelino Júnior
Fotografia de quatro figuras políticas (Mateus Simões, Nikolas Ferreira, Anderson Lima e Janaina Guimarães) a sorrir e a segurar juntos um cheque simbólico gigante de dez milhões de reais destinado ao Hospital do Câncer em Uberlândia.
Da esquerda para a direita: o vice-governador Mateus Simões, o deputado federal Nikolas Ferreira, o vereador Anderson Lima e a vereadora Janaina Guimarães seguram um cheque simbólico de R$ 10 milhões em Uberlândia, em março de 2026.

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Afinal, por que o deputado federal Nikolas Ferreira posou para fotos segurando um cheque simbólico de R$ 10 milhões se o Hospital do Câncer receberá R$ 7,2 milhões? A Coluna Poder cruzou os novos documentos emitidos pelo sistema SIAFI-MG com as justificativas do Estado para responder à pergunta que ferve os bastidores locais. A resposta revela uma mistura de contabilidade de pacotes regionais com o tradicional marketing político praticado em períodos que antecedem as eleições.

O mistério em torno da divergência de valores começa a se dissipar na nota oficial enviada pelo Governo de Minas Gerais à nossa redação técnica. O Executivo estadual explicou que o anúncio originalizado em março tratava-se, na verdade, de um pacote macro de investimentos para a saúde do Triângulo Mineiro. Dentro desse montante global anunciado pelo Estado, a ala oncológica de Uberlândia ficou com a maior fatia da verba, carimbada em R$ 7,2 milhões.

O restante do recurso milionário foi dividido pelo plano de ação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) para cobrir outras frentes regionais urgentes. O pacote inclui R$ 2 milhões para o atendimento ao autismo em Iturama e mais R$ 2 milhões para o Hospital São José em Ituiutaba. A gafe política ocorreu porque o pedaço de papelão cenográfico foi preenchido com o valor total consolidado do pacote nominalmente ao hospital uberlandense.

O marketing político

Em vez de confeccionar placas separadas para cada cidade, a assessoria unificou o marketing institucional no palco principal da agenda pública em Uberlândia. O diretor administrativo do Grupo Luta pela Vida, Renato Pereira, definiu a situação com precisão e diplomacia em entrevista ao vivo na rádio Jovem Pan. “Em ano político, o político quer exaltar o mais que puder e eles fizeram lá um cheque de dez milhões”, revelou o gestor.

Pereira minimizou o erro do valor impresso no papelão, destacando que o importante para a oncologia é a consolidação do dinheiro real. Segundo a liderança do hospital, no próprio evento o atual governador Mateus Simões já havia verbalizado o valor real de R$ 7,2 milhões.

Comprovante liquida tese de “Emenda Fantasma”?

O comprovante de pagamento emitido pelo sistema SIAFI-MG comprova que o Estado liquidou a ordem de pagamento exata nesta terça-feira, dia 30 de junho. A verba de R$ 7,2 milhões foi quitada pelo Fundo Estadual de Saúde tendo como credor oficial o CNPJ da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

Como o montante foi pago à estatal que gere o Hospital de Clínicas da UFU, o dinheiro tramita na esfera pública antes de ser convertido nos aparelhos. Isso justifica o motivo de o grupo parceiro não ter visto a entrada imediata do dinheiro em seu caixa privado no momento das cobranças iniciais de Weliton Prado. Na prática, o recurso existe e foi pago ontem, mas o valor grafado no papelão foi inflado para aglomerar o pacote regional e gerar ganho político.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

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