Prefeitura confirma veto total à lei do personal trainer em Uberlândia

Após aprovação na Câmara contra parecer jurídico da própria Casa, Executivo barra projeto apontando inconstitucionalidade e interferência no direito de propriedade.

Adelino Júnior
Equipamentos de musculação em academia, com placas de pesos empilhadas em destaque.
Projeto que libera personal trainers sem cobrança extra em academias de Uberlândia deve ser votado pela Câmara nesta sexta-feira.

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O prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio (PP), vetou integralmente a Proposição de Lei nº 448, de 15 de maio de 2026, que garantia o livre acesso de personal trainers às academias da cidade sem a cobrança de taxas extras. A decisão foi publicada oficialmente na edição do Diário Oficial do Município desta terça-feira (9).

A medida confirma as articulações de bastidores antecipadas pela Coluna Poder. O Executivo acompanhou o posicionamento técnico da Secretaria Municipal de Governo e da Procuradoria-Geral do Município (PGM), que apontaram vícios intransponíveis de inconstitucionalidade e ilegalidade na proposta de autoria do vereador Sérvio Túlio (PSDB).

Os argumentos jurídicos do veto

O texto do veto detalha que o projeto, embora bem-intencionado, invade competências exclusivas da União para legislar sobre Direito Civil e organização do trabalho. Além disso, a Prefeitura apontou que proibir a cobrança de taxas de profissionais externos viola o direito de propriedade e o princípio da livre concorrência das empresas privadas.

Outro ponto considerado crítico foi o Artigo 6º do projeto, que transferia a responsabilidade civil por acidentes ou lesões ocorridos durante os treinos exclusivamente para o personal trainer. Segundo o Executivo, o município não tem competência legal para criar ou alterar regras de responsabilidade civil, matéria restrita ao Código Civil Federal.

A decisão também destacou que a proposta interferia nas normas posturais da cidade e na atuação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Serviços Urbanos. O prefeito apontou ainda falhas na técnica legislativa da matéria, como a ausência de indicação precisa de leis que seriam revogadas.

O embate político volta para a Câmara

A aprovação do projeto na Câmara de Uberlândia já havia sido marcada por polêmica. O plenário decidiu levar o texto adiante mesmo após a Comissão de Legislação e Justiça da Casa emitir um parecer jurídico contrário à legalidade da proposta.

Agora, com a publicação do veto total no Diário Oficial, a matéria retorna ao Legislativo municipal. Os vereadores terão a oportunidade de analisar os argumentos técnicos enviados pelo prefeito Paulo Sérgio e decidir se mantêm o veto ou se articulam os votos necessários para derrubá-lo.

Para que o veto seja rejeitado, é necessária a maioria absoluta dos votos dos parlamentares. O desfecho testará a coesão da base de apoio do governo municipal na Câmara de Vereadores nos próximos dias, mas já adianto que a tendência é que o veto seja mantido.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

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