Prefeitura de Ituiutaba leiloa complexo da Casemg por R$ 12 mi em julho

Galpões industriais, ambulatório animal e quase 24 mil m² no Bairro Progresso/Ipiranga vão a leilão em julho; vistoria técnica da própria prefeitura revela estrutura deteriorada — e levanta dúvidas sobre o valor mínimo

Adelino Júnior
Complexo da antiga Casemg em Ituiutaba: galpão industrial com fachada deteriorada e interior de shed semicircular com materiais espalhados
Galpões do complexo da antiga Casemg, em Ituiutaba: fachada com pintura descascada e interior ocupado com materiais da prefeitura — estrutura vai a leilão por R$ 12 milhões em julho

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A Prefeitura de Ituiutaba abriu processo para alienar um dos imóveis mais simbólicos da cidade: o quarteirão inteiro que abrigou a unidade local da Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais, a Casemg. O leilão está marcado para 1º de julho de 2026, com lance mínimo de R$ 12 milhões.

O aviso saiu na edição 100/2026 do Diário Oficial Municipal, publicada na terça-feira, 2 de junho.

Um quarteirão inteiro à venda

O imóvel ocupa a totalidade da quadra NE-11-06-13, no Bairro Progresso/Ipiranga. São 23.621 m² de área total, situados entre a Avenida Governador José de Magalhães Pinto, a Avenida Minas Gerais e a Avenida Geraldo Alves Tavares.

A área construída soma 9.322,84 m² e é formada por seis unidades distintas: um escritório, um prédio de balança, três blocos de uso diverso e um prédio comercial de mais de 6 mil m². A matrícula de número 22.824 está registrada no 1º Ofício de Registro de Imóveis de Ituiutaba.

O que a vistoria encontrou

O que chama atenção na alienação é que a própria Secretaria Municipal de Planejamento realizou uma vistoria técnica no imóvel em 2 de dezembro de 2025 — seis meses antes do leilão. O relatório, assinado pelo engenheiro civil Ricardo Matheus Moura Salvador, oferece um retrato detalhado — e, em vários pontos, preocupante — do que o arrematante vai encontrar.

O complexo reúne quatro galpões industriais, uma edificação auxiliar, um bloco de sanitários externos, uma área coberta de serviço, uma guarita e um ambulatório animal.

Os galpões industriais 2 e 3 têm estrutura de shed semicircular em arcos metálicos treliçados — tipologia industrial característica dos anos 1960 e 1970. As imagens registram oxidação avançada nas coberturas metálicas e sinais visíveis de abandono no entorno. O galpão 3, em especial, aparece com materiais e equipamentos espalhados no interior, sem uso organizado.

A edificação auxiliar apresenta paredes sem pintura e cobertura em telhas cerâmicas com estrutura de madeira aparente. O bloco de sanitários externos tem fachada com pintura degradada. A guarita de acesso, de concreto simples, encontra-se em estado de manutenção precária.

O ambulatório animal é o único conjunto com aspecto externo mais conservado — paredes pintadas, pilares de concreto armado e janelas com caixilhos metálicos.

Em suma: o imóvel está longe de estar em condições de uso imediato. Quem arrematar terá pela frente um investimento considerável em recuperação antes de qualquer operação.

Da estatal federal ao patrimônio municipal

A história do imóvel começa em 1957, quando a Casemg foi criada pela Lei Estadual nº 1.643, sancionada pelo então governador José Francisco Bias Fortes. A empresa nasceu para suprir a carência de espaços de armazenagem e ensilamento de produtos agrícolas em Minas Gerais, chegando a ter unidades em 126 municípios do estado.

No Triângulo Mineiro, onde Ituiutaba era polo estratégico do agronegócio, a presença da estatal era marcante. Em 2000, a Casemg foi federalizada. O processo de liquidação começou em 2018 e foi concluído em outubro de 2020, quando a companhia foi oficialmente extinta.

O imóvel passou a integrar o patrimônio municipal. Por um período, funcionou como Fábrica de Manilhas da Prefeitura. Hoje, com uso descontinuado, aguarda comprador.

Os R$ 12 milhões e o debate que vem por aí

O valor mínimo de R$ 12 milhões é o dado que mais tende a movimentar o debate político. Para uma cidade do porte de Ituiutaba, essa entrada representa receita significativa — mas a equação tem dois lados.

De um lado, a gestão da prefeita Leandra tem interesse em converter um imóvel ocioso em caixa para investimentos. De outro, o relatório de vistoria deixa claro que o comprador vai herdar um complexo com estrutura deteriorada — o que pode deprimir o interesse no leilão ou, ao menos, puxar o lance para perto do mínimo.

Há também a dimensão política da destinação. Terrenos públicos de grande porte em área consolidada costumam despertar disputa de narrativas: uso comercial, habitacional, industrial ou equipamento público. Em Ituiutaba, como no restante do Triângulo Mineiro, esse tipo de alienação tende a pautar a Câmara Municipal e mobilizar lideranças nos próximos dias.

O leilão será realizado pela plataforma do leiloeiro Arthur Nunes, em 1º de julho de 2026.

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