A rejeição do Projeto de Lei nº 1032/2026, enviado pelo prefeito Paulo Sérgio, revelou mais do que uma divergência técnica na Câmara Municipal de Uberlândia.
O placar apertado — 12 votos favoráveis, 11 contrários e quatro ausências — acabou expondo a divisão dentro da base política do governo e evidenciando o peso das articulações eleitorais que já começam a se desenhar para 2026. Para ser aprovado, o projeto precisava de maioria absoluta na Câmara, ou seja, no mínimo 14 votos favoráveis entre os vereadores.
O projeto em si tratava de um tema técnico: a revogação de um dispositivo de duas leis aprovadas em 2025 que autorizam operações de crédito do município junto à Caixa Econômica Federal, pela linha FINISA.
O trecho que o Executivo pretendia revogar permitia que parcelas desses financiamentos fossem debitadas diretamente na conta arrecadadora do ICMS, sem a necessidade de empenho prévio da despesa — etapa tradicional da contabilidade pública.
A justificativa do governo era simples: alinhar os procedimentos às melhores práticas de controle fiscal para contratos futuros.
Mas, na prática, o debate técnico ficou em segundo plano.
O que chamou atenção nos bastidores foi a composição dos votos.
Base dividida
Entre os vereadores que votaram contra o projeto aparecem nomes que, em tese, orbitam o campo político do prefeito.
Antônio Augusto Queijinho (PSDB) votou contra a proposta.
Elinho da Academia (Mobiliza) também votou contra. O parlamentar é politicamente ligado aos deputados Weliton Prado e Elismar Prado, o que também entra na leitura política do resultado da votação. Apesar de dialogar com o governo em várias pautas, o parlamentar tem adotado postura independente em votações consideradas mais sensíveis.
Outro voto contrário que chamou atenção foi o de Sérvio Túlio (PSDB).
Ausências que pesaram
Em uma votação tão apertada, as ausências tiveram impacto direto no resultado.
Gláucia da Saúde (PL) aparece oficialmente como ausente, embora estivesse no plenário e circulando nas dependências da Câmara durante a sessão.
Delegada Lia Valechi (União Brasil) também foi registrada como ausente. A vereadora é pré-candidata a deputada e tem ligação política com o deputado estadual Arnaldo Silva, aliado de primeiro escalão do prefeito.
Mesmo assim, sua ausência acabou contribuindo para o resultado final da votação.
Liza Prado (Cidadania) estava em viagem e não participou da sessão.
Ronaldo Tannús (PSDB), embora listado como ausente, na verdade, também estava presente no plenário.
Deputados no pano de fundo
A votação ocorreu um dia depois de um movimento político relevante na cidade.
Na quinta-feira, o prefeito recebeu em Uberlândia o vice-governador Mateus Simões e o deputado federal Nikolas Ferreira para tratar da articulação de recursos para o Hospital do Câncer.
O problema é que essa pauta não pertence exclusivamente ao Executivo municipal.
Diversos deputados federais e estaduais que atuam na região já destinam recursos para o hospital e para outras áreas da cidade há anos.
Na prática, quase toda a bancada que representa Uberlândia em Brasília e em Belo Horizonte já possui participação direta em investimentos na saúde, infraestrutura e assistência social do município.
E isso se reflete diretamente dentro da Câmara.
Boa parte dos vereadores mantém vínculos políticos com deputados que atuam na cidade, formando verdadeiras bancadas informais dentro do Legislativo municipal.
Quando o técnico vira político
Na leitura de bastidores, esse alinhamento pode ter pesado no resultado da votação.
Quando o Executivo se movimenta politicamente ao lado de determinados deputados, outros grupos políticos que também disputam espaço na cidade acabam reagindo — e o plenário da Câmara costuma ser o primeiro lugar onde essa disputa aparece.
O episódio mostra que, mesmo em projetos de natureza técnica, a aritmética política continua sendo decisiva.

Coluna Poder • Conteúdo assinado por Adelino Júnior , jornalista e editor-chefe do Regionalzão, acompanhando os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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Pra quê tantos vereadores? Servem pra nada, por mim diminuiria pra 5 e tava passando de bom. Quase todos são inúteis e agora vemos que também são invejosos e ciumentos. Sobre a verba doada, nunca vi o hospital emitir nota sobre a quantidade de outdoors que os políticos de esquerda espalham pela cidade inteira anunciando doação. Mas bastou o Nikolas tirar uma foto com o cheque que… Passarei a doar para o Hospital do Amor de Barretos. Lamentável o esquerdismo do hospital de Uberlândia