O avanço do PL Antifacção na Câmara, aprovado por 370 votos a 110, expôs não apenas a divisão entre governo e oposição, mas também os movimentos internos da bancada mineira — especialmente no Triângulo Mineiro, onde a disputa por protagonismo regional já começou a influenciar 2026.
O texto relatado por Guilherme Derrite (PL), alvo de críticas do governo por sua condução e por alterações sucessivas no relatório — foram seis versões — acabou aprovado com placar folgado. Mas o comportamento da bancada do Triângulo mostra nuances importantes.
A seguir, o recorte regional e como cada deputado votou:
Ana Paula Leão (PP) – Uberlândia
Voto: Sim
A deputada manteve alinhamento ao PP e ao campo conservador mineiro. O voto reforça seu trânsito com setores mais duros da segurança pública em Uberlândia.
André Janones (Avante) – Ituiutaba
Voto: Não
Janones acompanha integralmente o governo Lula na pauta. O voto contraria a posição majoritária da bancada mineira e o isola entre os parlamentares da região que se opuseram ao projeto.
Dandara (PT) – Uberlândia
Voto: Não
Postura coerente com a orientação do PT e com o núcleo aliado ao Planalto. Para Dandara, o texto relatado por Derrite representava riscos de abuso e fragilização das garantias legais.
Greyce Elias (Avante) – Patrocínio
Voto: Sim
Greyce rompe com parte de sua bancada e vota com a maioria, num movimento que tenta recompor pontes com o eleitorado conservador do Alto Paranaíba.
Maurício do Vôlei (PL) – Iturama
Voto: Sim
Seguiu a orientação do PL e manteve coerência com seu histórico de votos em pautas de segurança pública.
Weliton Prado (Solidariedade) – Uberlândia
Voto: Sim
Um dos nomes mais tradicionais da região, votou com a maioria e reforçou posição alinhada ao endurecimento contra facções criminosas.
Zé Silva (Solidariedade) – Iturama
Voto: Sim
Com base espalhada por todo o Triângulo e Alto Paranaíba, Zé Silva acompanhou a posição favorável ao projeto.
Zé Vitor (PL) – Araguari
Voto: Sim
Tem presença consolidada no Triângulo e manteve alinhamento ao PL, reforçando o bloco pró-projeto.
O que é o PL Antifacção
O projeto — apelidado de Marco Legal do Combate ao Crime Organizado — atualiza instrumentos de investigação, punibilidade e enfrentamento a facções criminosas no país. Entre os pontos centrais, estão:
- Regras mais duras para organizações criminosas estruturadas;
- Fortalecimento de instrumentos de investigação, como infiltração de agentes e captação ambiental;
- Ampliação de penas em crimes ligados a facções;
- Medidas mais rígidas para líderes e integrantes considerados de alta periculosidade;
- Possibilidade de ações integradas entre forças de segurança estaduais e federais.
O governo Lula resistiu ao texto por considerar que algumas mudanças propostas pelo relator Guilherme Derrite poderiam abrir brechas para abusos e ampliar excessos no processo penal. Já a oposição defendeu o projeto como resposta ao avanço de facções em vários estados.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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