Bastidores da política em primeira mão
A movimentação recente no tabuleiro político de Minas Gerais acendeu um alerta dentro do Avante. A filiação da deputada federal Greyce Elias ao PL — e a saída já declarada do deputado federal André Janones criam um vazio relevante dentro da legenda.
Janones, inclusive, chegou a abrir uma enquete nas redes sociais perguntando ao público para qual partido deveria migrar. O gesto, incomum para o padrão político tradicional, reforça o caráter ainda indefinido de seu próximo passo — mas também sinaliza um afastamento irreversível do Avante.
O cenário é ainda mais sensível porque ambos foram, nas últimas eleições, dois dos principais puxadores de voto da sigla em Minas Gerais. Greyce Elias somou 110.346 votos, enquanto André Janones alcançou 238.967 votos. Já Luiz Tibé, que agora assume o protagonismo na reconstrução partidária, foi eleito com 107.523 votos. Em um sistema proporcional, esse detalhe não é menor: são esses nomes que ajudam a formar a chamada “legenda”, base essencial para eleger deputados.
O desafio de Luiz Tibé
Com a saída das duas principais forças eleitorais, a responsabilidade recai diretamente sobre o deputado federal Luiz Tibé, presidente nacional do Avante e conhecido por sua capacidade de articulação política.
Nos bastidores, fontes relatam que Tibé já iniciou uma ofensiva silenciosa para recompor o partido em Minas. O foco está na atração de prefeitos, vereadores e possíveis pré-candidatos com densidade eleitoral nas regiões.
“A prioridade é montar uma chapa competitiva, com nomes que consigam garantir a sobrevivência do partido no estado”, aponta uma fonte ouvida pela coluna.
A estratégia passa, principalmente, por lideranças regionais — aquelas que, mesmo fora do radar nacional, têm forte influência local e capacidade de transferência de votos.
Construir a própria cadeira
O desafio, no entanto, vai além da recomposição partidária. Luiz Tibé também precisa garantir a própria reeleição.
Sem grandes puxadores de voto, o risco aumenta. Em cenários como esse, a montagem da chapa deixa de ser apenas uma questão coletiva e passa a ser também uma estratégia de sobrevivência individual.
A equação é simples, mas dura: sem legenda forte, até mesmo nomes consolidados podem ficar vulneráveis.
Um partido em reconstrução
O Avante entra, portanto, em um momento de reconstrução em Minas Gerais. A saída de nomes de peso abre espaço para novas lideranças, mas também eleva o grau de incerteza.
Ao mesmo tempo, o movimento de Greyce Elias e a indefinição de Janones mostram que o jogo para 2026 já começou — e será marcado por reposicionamentos estratégicos e disputas por espaço dentro das siglas.
No fim, o sucesso ou não dessa reorganização pode definir não apenas o futuro do Avante no estado, mas também o tamanho da bancada mineira do partido no Congresso.

Coluna Poder • Conteúdo assinado por Adelino Júnior , jornalista e editor-chefe do Regionalzão, acompanhando os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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