O prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio, conta hoje com uma maioria declarada na Câmara Municipal. Mas essa base está longe de ser homogênea. Levantamento feito pela Coluna Poder, do Regionalzão, ouviu os vereadores da atual legislatura para mapear, com clareza, quem integra a base do governo, quem atua de forma independente e quem faz oposição aberta ao Executivo.
Base declarada sustenta a governabilidade
Um grupo expressivo de vereadores afirmou, de forma direta, integrar a base do prefeito Paulo Sérgio. As respostas destacam governabilidade, diálogo institucional e alinhamento em pautas consideradas estruturantes para a cidade.
Integram esse bloco os vereadores que assumiram publicamente o apoio ao governo:
– Ângela do Postinho
– Antônio Carrijo
– Delegada Lia Valechi
– Edinho Combate ao Câncer
– Elinho da Academia
– Ivan Nunes
– Jair Ferraz
– Liza Prado
– Neemias Miquéias
– Pezão do Esporte
– Queijinho
– Thais Andrade
– Sargento Ednaldo, líder do governo
– Ronaldo Tannús
Nas respostas, o discurso é recorrente: apoio às pautas que promovam desenvolvimento, saúde, educação, infraestrutura e políticas sociais, com a ressalva de que a atuação parlamentar preserva autonomia técnica e fiscalização.
“Fazer parte da base significa contribuir para a governabilidade e para a construção de políticas públicas que beneficiem a população”, afirmou a Delegada Lia Valechi.
O presidente da Câmara Municipal, Zezinho Mendonça, não foi incluído na classificação entre base e oposição. Apesar de ser filiado ao Progressistas (PP), partido que integra a base do prefeito Paulo Sérgio, o chefe do Legislativo exerce função institucional que exige postura de equilíbrio, condução dos trabalhos e mediação entre os parlamentares, o que o afasta, formalmente, de alinhamentos políticos explícitos nas votações.
Apoio pragmático e alinhamento ideológico
Há ainda vereadores que evitam o rótulo formal de base, mas admitem alinhamento em pautas específicas. É o caso de Anderson Lima, que destacou afinidade ideológica e apoio a projetos que impulsionem o crescimento econômico da cidade, sem vínculo institucional automático com o Executivo.
Esse grupo tende a votar com o governo em agendas convergentes, mas mantém discurso de independência política.
Independência assumida e fiscalização
Três vereadores fizeram questão de marcar posição institucional independente, reforçando o papel fiscalizador do Legislativo:
– Abatênio Marquez
– Adriano Zago
– Professor Conrado
As respostas seguem a mesma linha: apoio ao que consideram positivo para Uberlândia e voto contrário quando identificam risco ao interesse público.
“Sou vereador da cidade de Uberlândia, não de governo”, afirmou Adriano Zago, ao reforçar que não integra a base nem atua em oposição sistemática.
Oposição declarada
A oposição formal ao governo Paulo Sérgio é minoritária, mas clara. Dois vereadores se colocaram explicitamente nesse campo:
– Dr. Igino
– Professor Ronaldo
Mesmo na oposição, ambos reconhecem avanços pontuais do Executivo, mas mantêm posição crítica e distanciada da base governista.
Silêncio e zona cinzenta também dizem muito
Cinco vereadores não responderam à apuração até o fechamento ou evitaram um posicionamento objetivo:
– Amanda Gondim
– Fabão
– Nei Borges
– Janaina Guimarães
– Sérvio Túlio
A vereadora Gláucia da Saúde chegou a retornar o contato, mas indicou que o tema não se resume a um simples “sim” ou “não”, optando por não se posicionar formalmente dentro do prazo.
No bastidor político, o silêncio e a evasão são lidos como cautela, negociação em curso ou tentativa de preservar margem de manobra em um cenário ainda em consolidação.
Leitura política
Na prática, o governo Paulo Sérgio não enfrenta uma oposição organizada capaz de travar votações relevantes. Ao mesmo tempo, a base governista não opera como um bloco automático ou ideologicamente coeso.
A governabilidade existe, mas depende de articulação constante, diálogo e leitura fina do plenário — especialmente em pautas sensíveis, como orçamento, planejamento urbano e contratos administrativos.
Com o calendário político avançando em 2026 já no radar de parte da classe política, a composição da base tende a seguir dinâmica, mais pragmática do que partidária.

Atualização Amanda Gondim
Após a publicação desta matéria, somente nesta data, a vereadora Amanda Gondim encaminhou seu posicionamento à Coluna Poder. Antes do fechamento, foram feitas duas tentativas de contato por ligação direta e enviadas duas mensagens ao WhatsApp da parlamentar.
Segundo Amanda, sua atuação é independente, não integrando a base do prefeito Paulo Sérgio — posição que, conforme destacou, mantém tanto nesta legislatura quanto na anterior. A vereadora afirmou ainda que seu mandato tem perfil fiscalizatório, orientado pelas demandas da população que a elegeu e pelo exercício das competências constitucionais do Legislativo.
Atualização Nei Borges
Após a publicação desta matéria, o vereador Nei Borges encaminhou seu posicionamento à Coluna Poder. Antes do fechamento, foram enviadas duas mensagens e realizadas duas ligações diretas ao parlamentar.
Segundo Nei Borges, ele integra a base do prefeito Paulo Sérgio na Câmara Municipal, destacando que o apoio ocorre nas pautas em que o Executivo apresenta projetos que beneficiem diretamente a população de Uberlândia. O vereador citou alinhamento especialmente em temas ligados à infraestrutura, mobilidade urbana, saúde, educação e desenvolvimento dos bairros. Ao mesmo tempo, afirmou que seu mandato atua com independência e responsabilidade, defendendo o diálogo e o aprimoramento das propostas sempre que necessário, com foco no interesse público.
Esse conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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