“Sob tortura, os números dizem o que você quiser.” A frase, repetida com frequência nos bastidores da política, ajuda a explicar por que uma pesquisa eleitoral precisa ser lida com cuidado. Mais do que olhar apenas para percentuais isolados, é preciso entender o contexto político que cada número revela.
Por isso, o Regionalzão fez um raio‑X da última pesquisa divulgada em Minas Gerais para identificar os sinais que realmente importam para a eleição de 2026.
1. Cleitinho larga na frente e pode até mirar vitória no primeiro turno
O primeiro dado que salta aos olhos é a liderança do senador Cleitinho nos cenários testados para o governo de Minas. Nos cenários estimulados da Paraná Pesquisas, ele aparece com cerca de 45% das intenções de voto (45,6% em um cenário e 45,8% em outro), bem à frente dos adversários.
Dependendo da composição das candidaturas, o parlamentar abre vantagem significativa sobre nomes como Rodrigo Pacheco (18,4%) ou Alexandre Kalil (22,6%), e já começa a ser analisado nos bastidores como um candidato que poderia, em determinadas circunstâncias, mirar até mesmo uma vitória em primeiro turno.
A força eleitoral de Cleitinho está ligada principalmente ao voto mais popular e ao conservadorismo, que hoje representa uma parcela significativa do eleitorado mineiro.
2. Zema tem capital político, mas ainda não transfere votos
Outro ponto importante revelado pela pesquisa envolve o governador Romeu Zema.
A gestão estadual mantém índices relevantes de aprovação. Segundo a Paraná Pesquisas, cerca de 61% dos mineiros aprovam o governo, enquanto 34,7% desaprovam a administração estadual.
No entanto, esse capital não parece se transferir automaticamente para um sucessor natural. O vice‑governador Mateus Simões aparece com percentuais modestos nos cenários apresentados, com cerca de 8,7% em um cenário e 8,4% em outro.
Na prática, isso indica que o grupo político do governo terá o desafio de transformar aprovação administrativa em força eleitoral para 2026.
3. Sucessão estadual segue aberta
Apesar da liderança de Cleitinho, a corrida pelo governo de Minas ainda está longe de ser definida. Nos cenários estimulados da Paraná Pesquisas, além dos cerca de 45% de Cleitinho, aparecem nomes como Rodrigo Pacheco (18,4%), Alexandre Kalil (22,6%), Mateus Simões (8,7% e 8,4%) e Gabriel Azevedo (6,2% e 5,9%).
Os números mostram que existe um segundo pelotão ainda competitivo, especialmente dependendo da composição das alianças partidárias e da entrada ou saída de candidaturas.
Em eleições estaduais, alianças partidárias, apoios regionais e estrutura de campanha costumam influenciar fortemente o resultado final.
4. Sobram opções na direita — e ninguém se diz de esquerda
Nos cenários testados pela Paraná Pesquisas, praticamente todos os nomes competitivos aparecem ligados ao campo da direita, centro ou centro‑direita. Cleitinho lidera com cerca de 45%, enquanto nomes como Alexandre Kalil (22,6%), Rodrigo Pacheco (18,4%), Mateus Simões (entre 8,4% e 8,7%) e Gabriel Azevedo (entre 5,9% e 6,2%) ocupam o restante do cenário competitivo.
Enquanto Cleitinho e Simões se posicionam claramente na direita, a esquerda ainda carece de um ator de destaque.
No caso de Alexandre Kalil, embora esteja hoje filiado ao PDT — partido historicamente associado ao campo da esquerda — o próprio ex‑prefeito costuma se definir como um político sem viés ideológico rígido, com atuação mais pragmática. Ainda assim, no tabuleiro político mineiro ele acaba sendo frequentemente situado no campo da centro‑esquerda.
Já o senador Rodrigo Pacheco é visto como um nome típico do centro político brasileiro, frequentemente associado ao chamado centrão, marcado por uma atuação mais institucional e de articulação entre diferentes forças políticas.
Na prática, o que se observa é uma dificuldade de organização de um projeto eleitoral claramente competitivo no campo da esquerda neste momento do ciclo político.
Esse fator pode influenciar diretamente a formação das alianças para 2026.
5. Disputa ao Senado começa pulverizada
Se a corrida ao governo já começa a apresentar um favorito, a disputa ao Senado segue completamente aberta.
A pesquisa mostra vários nomes competitivos e percentuais relativamente próximos, como Carlos Viana (32,2%), Aécio Neves (26,1%), Marília Campos (25,7%), Alexandre Silveira (16,6%), Marcelo Aro (13,8%), Domingos Sávio (9,6%) e Aurea Carolina (6,9%), indicando que a eleição para senador em Minas tende a ser uma das mais disputadas do país.
Com duas vagas em disputa, a tendência é que diferentes grupos políticos lancem candidatos fortes para tentar ocupar o espaço.
Conclusão
O levantamento ajuda a entender o momento político de Minas Gerais: um favorito emergindo para o governo, um governador bem avaliado que ainda não transferiu votos para um sucessor e uma disputa ao Senado que promete ser intensa.
A eleição de 2026 ainda está distante, mas os primeiros movimentos do tabuleiro político mineiro já começam a ficar mais claros.

Coluna Poder • Conteúdo assinado por Adelino Júnior , jornalista e editor-chefe do Regionalzão, acompanhando os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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