O desgaste de Flávio Bolsonaro abriu uma nova frente de especulação dentro da direita. O Republicanos passou a avaliar a possibilidade de lançar Cleitinho Azevedo à Presidência da República.
Hoje senador por Minas Gerais, Cleitinho vinha sendo tratado como pré-candidato ao governo mineiro. Mas o abalo sofrido por Flávio, após a divulgação de conversas com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mudou o ambiente.
Nos bastidores, o movimento ainda é embrionário. Mas não é irrelevante. Caciques do Republicanos chegaram a pedir a inclusão do nome de Cleitinho em pesquisas presidenciais. Isso indica que o partido quer medir o tamanho nacional do senador antes de tomar qualquer decisão mais ousada.
Cleitinho tem um ativo raro: apelo popular
Cleitinho não é um nome tradicional da política mineira. Sua força vem de outro lugar. Ele cresceu com discurso simples, presença forte nas redes sociais e uma comunicação direta com o eleitor.
Esse estilo, muitas vezes visto como espalhafatoso por adversários, também é o que sustenta sua popularidade. Em 2022, ele recebeu mais de 4,2 milhões de votos para o Senado por Minas Gerais. Desde então, consolidou uma imagem de político de linguagem popular, com forte entrada no eleitorado conservador.
Para o Republicanos, esse é o principal ponto positivo. Cleitinho tem recall, fala fácil com a base de direita e não carrega, até aqui, o desgaste nacional que passou a rondar Flávio Bolsonaro.
Uma composição com vice indicado pelo PL faria sentido político. Seria uma forma de tentar preservar a conexão com o bolsonarismo sem entregar a cabeça da chapa a um nome ferido pela crise.
Flávio perdeu mais na crise do que no caso em si
O problema de Flávio Bolsonaro não está apenas no conteúdo das conversas divulgadas. Está também na condução da crise.
Primeiro, houve negativa. Depois, vieram explicações parciais. Em seguida, novas informações aumentaram a pressão. Esse tipo de movimento costuma ser fatal em campanhas majoritárias. Quando a narrativa muda várias vezes, o adversário ganha espaço para enquadrar o episódio.
Nos bastidores da direita, a leitura é que Flávio não se perdeu apenas pelo caso envolvendo Vorcaro. Ele se complicou ao administrar mal a resposta pública. A crise deixou a impressão de improviso, justamente em um momento em que sua pré-candidatura precisava demonstrar estabilidade.
A estratégia de desgaste contra Flávio também parece estar apenas no começo. A divulgação das conversas funcionou como uma primeira pancada. A expectativa entre políticos é que novas informações possam surgir nos próximos dias ou semanas, prolongando o sangramento.
Para Lula, Flávio ferido pode ser o adversário ideal
Há um ponto central nessa equação. Para Lula, o melhor adversário pode ser justamente Flávio Bolsonaro politicamente ferido.
Um candidato de direita enfraquecido, obrigado a explicar crise durante a campanha, tende a ter menos capacidade de ampliar pontes com o centro. Também fica mais dependente da base ideológica mais fiel.
Por isso, a movimentação em torno de Cleitinho incomoda. Não porque esteja consolidada. Mas porque abre uma alternativa. E alternativa, em política, é sempre uma ameaça a quem tenta manter o controle da narrativa.
Se Cleitinho for testado e aparecer competitivo, o Republicanos ganha poder de barganha. Pode pressionar o PL. Pode negociar espaço em Minas. E pode, até mesmo, forçar uma reorganização da direita nacional.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

