O embate político em Uberlândia ganhou um novo capítulo. O vereador Abatenio (PP), que foi cabo eleitoral de Paulo Sérgio Ferreira nas últimas eleições, agora se coloca abertamente como oposição. Ele assinou a CPI da Saúde e tem feito duras críticas ao governo.
Do outro lado, o secretário de Governo Renato Rezende (MDB), homem de confiança do prefeito, rebateu as declarações e buscou demonstrar coesão interna.
Nota de Abatenio
Na sua nota, enviada ao Regionalzão, o vereador escreveu:
“Tudo começou quando critiquei o helicóptero e o Anel Viário Sul. Piorou depois do dia em que critiquei o reajuste de ônibus, eles ficaram me mandando recados. Truquei assinando a CPI e depois pedi 6, divulgando o vídeo do Paulo do SAMU. Ficavam falando que iam mandar embora alguns que foram apoiadores do Paulo e meus apoiadores na campanha. Todos bandeiraram pra ele, e todos ele prometeu nas secretarias que ia manter nos cargos. Mas só mandam embora os pequenos, Secretários que me apoiaram, como o Guilherme da Infraestrutura, o Renato Rezende e o Zanatta, não. Mas eu aguentei firme, endureci ainda mais o jogo, segui firme. Eu renunciaria se tivesse que virar capacho do prefeito Paulo Sérgio. Após a denúncia de hoje do circo, beneficiado supostamente de forma ilegal pela Prefeitura, viram que eu jamais iria ceder. Por isso vou enfrentar, mesmo mandando embora algumas pessoas que me apoiaram e apoiaram também o prefeito Paulo Sérgio. Infelizmente não é o que eu desejava. Retroceder nunca, render-se, jamais.”
Nota de Renato Rezende
Em resposta, Renato enviou sua própria nota, na íntegra:
“É preciso reconhecer a realidade: o parlamentar se encontra isolado, sem interlocução consistente na Câmara, tentando resgatar um protagonismo que já não lhe pertence. Ao ampliar a pauta e a capacidade de diálogo da Prefeitura com as reais necessidades da cidade, ficou claro que não há espaço para projetos pessoais ou para a busca de apoio monocrático que permita a alguém ‘reinar sozinho’.”
Renato foi duro ao criticar o que considera incoerências do ex-aliado: “Como pode alguém que acusa outro de ser petista se unir justamente a um petista? Isso não é coerência, é manipulação. Estamos em uma nova fase: de pontes, não de chicote. Uberlândia precisa de um ciclo que una elos sem perder a essência que nos trouxe até aqui: a temperança, o equilíbrio e a liderança de Odelmo Leão. É apenas a realidade de quem vê o brinquedo ser compartilhado e reage com o desespero de uma criança.”

Aliados que se tornaram rivais
Renato e Abatenio já estiveram no mesmo palanque. A relação, que antes era de proximidade política, agora se transformou em disputa aberta. Abatenio, considerado homem de confiança da deputada Ana Paula Junqueira Leão e do ex-prefeito Odelmo Leão, endureceu o tom após as exonerações recentes publicadas pela Prefeitura.
Desdobramentos
O posicionamento de Renato, que é peça-chave na articulação do governo, e de Abatenio, agora voz da oposição, expõe um racha que pode ter reflexos diretos no futuro político do PP em Uberlândia. A leitura nos bastidores é de que esse afastamento pode indicar até mesmo uma mudança de partido no horizonte, movimentação que já começa a ser especulada após episódios recentes envolvendo a disputa pelo MDB na cidade (leia aqui).
Por ora, o que se vê é o endurecimento de posições. Renato busca blindar Paulo Sérgio e manter a base governista firme, enquanto Abatenio aposta no confronto direto como estratégia política.
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Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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