TCE manda ex-diretora devolver R$ 584 mil por desvios em escola estadual de Ituiutaba

Irregularidades incluem transferências via PIX para contas pessoais e entrega de TV e projetor na casa da gestora; multas somam R$ 110 mil

Adelino Júnior
Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado reunidos em sessão analisando processo sobre desvio de recursos públicos em escola estadual de Ituiutaba
Sessão da Primeira Câmara do Tribunal de Contas do Estado que determinou devolução de recursos públicos após irregularidades em escola de Ituiutaba. Foto: Divulgação
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O Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinou nesta terça-feira (7) a devolução de R$ 584.635,20 aos cofres públicos após identificar fraudes na gestão da caixa escolar de uma unidade estadual em Ituiutaba.

A decisão foi tomada pela Primeira Câmara do órgão, que também aplicou multas que somam R$ 110 mil aos envolvidos.

De acordo com o conselheiro relator, Alencar da Silveira Junior, ficou comprovado que os recursos — repassados por meio de termos de compromisso com a Secretaria de Estado de Educação — não foram utilizados para suas finalidades legais, como manutenção da escola, compra de materiais ou melhorias na infraestrutura.

Rastro de irregularidades

A investigação revelou uma série de movimentações suspeitas:

– Transferências via PIX para contas pessoais e de terceiros
– Saques em dinheiro e emissão de cheques
– Pagamentos sem nota fiscal
– Ausência total de comprovação das despesas

Segundo o TCE, não há evidências de que os valores tenham sido aplicados em benefício da unidade escolar.

Para a Corte, a regra é clara: cabe ao gestor comprovar o uso correto dos recursos. Sem essa comprovação, presume-se o dano ao erário — o que gera obrigação de ressarcimento.

Equipamentos foram parar em casa da gestora

O caso ganhou ainda mais gravidade após a constatação de que equipamentos comprados com dinheiro público não chegaram à escola.

Uma Smart TV de 50 polegadas, um projetor multimídia e um mini system foram entregues diretamente na residência da ex-diretora.

A irregularidade foi comprovada por três frentes:

– Documento de transporte indicando entrega em endereço residencial
– Inventário da escola sem registro dos equipamentos
– Ausência de qualquer comprovação de recebimento

Penas e possível inabilitação

A ex-diretora foi condenada a devolver mais de R$ 515 mil de forma individual, além de responder solidariamente por outros R$ 69 mil.

As multas aplicadas foram:

– R$ 90 mil para a ex-diretora
– R$ 20 mil para a segunda envolvida

O relator também propôs o envio do caso ao plenário do TCE para análise de inabilitação das responsáveis, o que pode impedir a ocupação de cargos públicos.

O Ministério Público, a Controladoria-Geral do Estado e a Secretaria de Educação foram acionados para adoção das medidas cabíveis.

Caso pode avançar para a esfera criminal

Além das sanções administrativas, a ex-diretora pode responder por peculato — crime previsto no artigo 312 do Código Penal.

A acusação se aplica quando há apropriação ou desvio de recursos públicos em razão do cargo. A pena pode chegar a 12 anos de prisão, além de multa.

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