A motocicleta usada no ataque contra o carro de João Vitor Oliveira Macedo, presidente do PP Jovem de Uberlândia, está registrada em nome da CEAMI Reabilitação Para Vida.
A informação consta no Termo Circunstanciado de Ocorrência encaminhado pela Polícia Civil à Justiça, em Uberlândia. O procedimento apura dano ao veículo de João Vitor, atingido por uma substância química no bairro Patrimônio.
Laudo apontou dano por agente químico
Segundo o laudo pericial juntado ao processo, o veículo apresentou deterioração na pintura e em peças como farol e lanterna.
O perito registrou que havia áreas do carro atingidas por um produto, provavelmente um agente químico. A natureza da substância não pôde ser definida por exame macroscópico.
O documento também apontou que não houve uso de substância inflamável ou explosiva.
Moto estava registrada em nome da CEAMI
De acordo com o TCO, o autor chegou ao local em uma motocicleta Honda CG 160 Start vermelha, de placa SYG-4E12.
Ainda segundo os autos, a motocicleta está registrada em nome da pessoa jurídica CEAMI Reabilitação Para Vida.
João Vitor relatou à Polícia Civil que estava no Praia Clube, no dia 11 de janeiro, quando estacionou o veículo nas proximidades da Avenida dos Municípios, no bairro Patrimônio.
Conforme a versão registrada no procedimento, o autor chegou em uma motocicleta, estacionou mais à frente, desceu e arremessou um líquido contra o carro.
João Vitor citou denúncia anterior
Em depoimento, João Vitor afirmou acreditar que o caso teve motivação política.
Ele declarou que, em 7 de dezembro de 2025, apresentou denúncia de possível desvio de verbas provenientes de emendas parlamentares contra a CEAMI à 6ª Promotoria de Justiça, que atua na área de patrimônio público.
A informação aparece nos autos como versão da vítima.
Até o envio do TCO à Justiça, a Polícia Civil não havia identificado a pessoa física responsável pelo dano.
Polícia tentou identificar condutor
A Polícia Civil ouviu um monitor social da CEAMI e responsável por documentação junto à Prefeitura.
Segundo o depoimento, ele afirmou inicialmente que a instituição tinha controle diário de quem dirigia os veículos.
Depois, em contato por aplicativo com um investigador, informou que o controle existente se limitava aos carros, e não às motocicletas.
O relatório de diligência registrou que essa informação divergia da versão prestada anteriormente em oitiva.
Presidente da CEAMI prestou depoimento
Onezino Domingos Filho, presidente da CEAMI, também foi ouvido pela Polícia Civil.
Ele afirmou que a entidade possui muitos veículos e que não há controle rigoroso de uso, por se tratar de uma comunidade terapêutica aberta.
Ainda segundo o termo de declaração, Onezino disse que os veículos são utilizados por funcionários e internos da comunidade.
Questionado sobre a pessoa que aparece nas imagens, respondeu que não reconhecia o condutor, pois não havia muitas características identificáveis.
Pastor diz que CEAMI prestou esclarecimentos
Procurado pelo Regionalzão, o pastor Onezino Domingos Filho afirmou que todos os esclarecimentos sobre o caso foram prestados ao delegado da Polícia Civil.
Ele também destacou a atuação da CEAMI em Uberlândia e região. Segundo Onezino, a instituição trabalha há 29 anos de forma ininterrupta e já atendeu mais de 30 mil pessoas no período.
“A CEAMI como sempre presta todos os esclarecimentos às autoridades competentes e sempre acreditando na Justiça”, afirmou.
O pastor também disse que a instituição é fiscalizada pelo Ministério Público Estadual e por órgãos ligados à política sobre drogas.
Segundo ele, a CEAMI mantém parcerias com a Polícia Militar, a Secretaria Municipal de Segurança Integrada, a Sejusp e a Seapa.
Sobre a motocicleta citada no TCO, Onezino afirmou imaginar que placas podem ser clonadas e disse que a instituição não reconhece ninguém com o perfil apontado no caso.
“Eu imagino que placas podem ser clonadas, o que já aconteceu várias vezes em nosso país, em nosso Estado e em nossa cidade. Não reconhecemos ninguém com esse perfil”, disse.
TCO foi enviado sem indiciamento
Na conclusão, a Polícia Civil informou que não foi possível identificar a pessoa física que praticou o dano contra o veículo.
O relatório final apontou, porém, a possibilidade de reparação dos danos pela pessoa jurídica CEAMI na esfera civil, diante da ausência de registro sobre quem utilizava seus veículos.
O procedimento foi remetido à Justiça em 29 de junho, sem indiciamento.
Na tramitação judicial, também houve o acautelamento de uma mídia em DVD-R encaminhada com o TCO físico.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

