Durante a abertura do Ano Legislativo de 2026, na Câmara Municipal de Uberlândia, o prefeito Paulo Sérgio (PP) fez um movimento político calculado ao tratar do tema das emendas parlamentares.
Ao afirmar que o município recebe recursos de deputados de diferentes campos ideológicos, o prefeito citou nominalmente a deputada federal Dandara Tonantzin (PT) — gesto que, nos bastidores, teve leitura imediata.
Não foi elogio. Foi estratégia.
Emenda não tem ideologia
No discurso, Paulo Sérgio reforçou que a Prefeitura não faz distinção partidária quando o assunto é investimento para a cidade. Segundo ele, toda emenda que chega para Uberlândia é bem-vinda, independentemente de quem a destina.
“O compromisso é com a cidade, não com partido”, resumiu um interlocutor do governo após a sessão.
Ao citar Dandara (PT), o prefeito desmonta, de forma preventiva, uma narrativa que vem sendo alimentada por setores da oposição: a de que ele estaria se aproximando da esquerda após o racha político com o grupo do ex-prefeito Odelmo Leão (PP).
O racha e o rótulo
Desde o distanciamento o ambiente político em Uberlândia entrou em nova fase. Parte da oposição passou a explorar o vácuo deixado pelo ex-prefeito — conhecido nos bastidores como direita raiz, com discurso ideológico rígido e alinhamento direto ao campo conservador.
A tentativa agora é simples: colar no atual prefeito um rótulo ideológico.
Ao citar uma deputada do PT ao lado de outros parlamentares que destinam recursos ao município, Paulo Sérgio sinaliza que governa com pragmatismo institucional, não com alinhamento ideológico automático.
Recado para fora e para dentro
O gesto também fala com dois públicos.
Para fora, deixa claro que Uberlândia está aberta a recursos de qualquer bancada, o que amplia margem de investimento e reduz isolamento político.
Para dentro, o recado é direto: o prefeito não comprará briga ideológica para agradar bolhas políticas locais — nem da esquerda, nem da direita.
Nos bastidores da Câmara, a leitura foi de que o prefeito tenta ocupar um espaço de centro administrativo, enquanto a oposição insiste em disputar o campo simbólico.
Política real
Em um cenário de orçamento pressionado, financiamentos em curso e obras em andamento, Paulo Sérgio escolheu falar de resultado.
Emenda não tem cor.
E, pelo visto, o discurso também não.

Esse Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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